Londres - O Congresso dos Estados Unidos, ao aprovar a Lei de Comissões Militares, sobre interrogatórios e julgamentos de pessoas consideradas suspeitas de atividades terroristas, deu seu apoio a violações de direitos humanos cometidas por esse país, denunciou hoje a Anistia Internacional (AI) em um relatório divulgado em Londres.
Segundo o documento, intitulado "Estados Unidos: Congresso ratifica torturas e outros abusos", ao aprovar o projeto, os parlamentares norte-americanos deram seu apoio a violações de direitos humanos.
"Tal legislação deixa abertamente os Estados Unidos do lado incorreto da lei internacional e transformou más políticas na prática de más leis domésticas", acrescentou.
Em seu relatório, a Anistia Internacional informou que fará uma campanha contra essa lei e acrescentou que espera poder desafiar a legislação na justiça.
"Na 'guerra contra o terrorismo', a administração dos Estados Unidos criou centros de prisão secretos, efetuou desaparecimentos forçados, manteve presos sem comunicação alguma, por tempo indeterminado e outros sem acusações, realizou detenções arbitrárias, e cometeu torturas e outras ações inumanas ou degradantes", denuncia a AI.
Em seu relatório, a ONG com sede em Londres informou que milhares de pessoas continuam presas por tempo indeterminado em prisões militares no Iraque, Afeganistão e Guantánamo, sob as forças norte-americanas.
"O Congresso norte-americano violou os direitos humanos desses presos e de suas famílias. O presidente George W. Bush defendeu as prisões secretas da CIA e nesse debate sobre a Lei de Comissões Militares, os congressistas fizeram o mesmo", continuou.
Segundo a AI, "esta política viola claramente as leis internacionais".