Salvador - Com uma fachada considerada rara na arquitetura histórica de Salvador, o prédio de quatro andares recoberto de azulejos azuis no centro da Praça Visconde de Cayru, no Comércio, ganha mais importância para o patrimônio da cidade com o projeto de transformá-lo em hotel de luxo pelo Grupo Imocom, um dos mais destacados do setor hoteleiro em Portugal. "Nenhum detalhe vai ser alterado na bonita fachada do prédio. Pelo contrário, ela vai ser restaurada, valorizando ainda mais o destaque visual para quem entra na Cidade Baixa pela Avenida Contorno", garante Marcos Cidreira, coordenador do Escritório de Revitalização do Comércio. As obras do hotel, com 156 quartos, começam em janeiro.
A importância da construção para a cidade é tão grande que, para Cidreira, pode ser considerado como um dos principais cartões-postais de Salvador. "O visual da fachada é forte e marcante. É o que chamamos de ícone de uma paisagem, um dos mais fortes referenciais urbanos de toda a capital, principalmente para o turismo, porque está bem ao lado do Elevador Lacerda, muito próximo do antigo cais da Baía de Todos os Santos e do Mercado Modelo, todos símbolos preciosos para a Bahia", analisa.
O prédio foi construído no final do século XIX e é tombado como Patrimônio Histórico Nacional, desde 1969. Um dos maiores destaques do seu visual são as janelas com desenho terminando em arco, em forma ogival, que é uma característica do estilo neogótico, raro em Salvador. Uma das curiosidades a seu respeito é que não há informações exatas sobre quem iniciou a construção ou em que ano foi inaugurado. Até a década de 1970 era propriedade do milionário e colecionador de arte Abdala Gaid conhecido por circular em Salvador num modelo novíssimo de Rolls Royce. Até ser desativado, o prédio abrigava uma das lojas da rede de supermercados Paes Mendonça, atual Bompreço.
Com o funcionamento do hotel, o prédio vai ser utilizado como área social, abrigando a recepção ou lobby e salões para os hóspedes. As acomodações ficarão em dois novos prédios, de 11 andares, a serem construídos atrás da construção azulejada. "É um projeto arrojado e importante para a Bahia. São na verdade duas belas construções que estão sendo valorizadas com este hotel, pois inclui também um imóvel vizinho, de propriedade da família Daiha, tradicional representante do comércio varejista em Salvador", analisa Cidreira. |