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Odebrecht
Pesquisador da Ufba vence Prêmio Clarival Valadares
Terça-feira, 26/09/2006 - 07:21

Salvador - O arqueólogo Carlos Alberto Etchevarne, professor e pesquisador do Departamento de Antropologia, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), foi o vencedor da 3ª edição do Prêmio Clarival do Prado Valladares. Seu projeto de pesquisa intitulado Homem e Natureza - Imagens da Arte Rupestre na Bahia foi escolhido entre os cerca de 100 projetos inscritos por pesquisadores de todo o Brasil. Pela terceira vez consecutiva, um pesquisador da Bahia é o vencedor do deste prêmio, instituído pela Organização Odebrecht, com o objetivo de patrocinar projetos inéditos de pesquisa que abordem temas ligados à história do Brasil. A Odebrecht financia integralmente a realização do projeto selecionado.

O Prêmio Clarival do Prado Valladares pretende ampliar o conhecimento e a compreensão da história econômica, da evolução sóciopolítica e da criação artística brasileiras, enriquecendo o acervo documental do país sobre fatos, processos e indivíduos cuja memória deva ser resgatada, difundida e preservada. Trata-se de uma das poucas oportunidades de se obter patrocínio para pesquisa histórica fora das fontes oficiais de financiamento.

Não existe um valor pré-determinado para o patrocínio, que depende de cada projeto selecionado. O valor estimado do prêmio deste ano é de R$ 532.400,00 (quinhentos e trinta e dois mil e quatrocentos reais), que financiará um ano de pesquisa científica, a edição de um livro com a qualidade gráfica e editorial das edições culturais Odebrecht e atividades de educação patrimonial dirigidas às populações em torno dos sítios arqueológicos selecionados.

O Projeto Homem e Natureza - Imagens da Arte Rupestre na Bahia irá produzir e difundir informações sistemáticas sobre o vasto, e ainda pouco estudado, conjunto de sítios arqueológicos com pinturas, gravuras e representações gráficas dos povos que habitaram o estado da Bahia em diversos períodos, antes da chegada dos portugueses.

Esta é uma iniciativa pioneira na Bahia, que apesar do seu rico patrimônio artístico pré-colonial, ainda não possui estudos e publicações semelhantes às de outros sítios arqueológicos importantes como os do Piauí (Parque Nacional da Serra da Capivara), Pará e Paraná.

O professor Carlos Alberto Etchevarne é experiente pesquisador em arqueologia urbana e arte rupestre. Argentino de nascimento, está radicado em Salvador desde 1984. Fez seus estudos iniciais de arqueologia na Universidade de Rosário. É mestre em Arqueologia pela Universidade de São Paulo e doutor em Pré-história pelo Museu de História Natural de Paris. Obteve o pós-doutorado no Instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra, Portugal.

O Projeto - O estado da Bahia possui um rico universo de sítios de arte rupestre, que se destaca pela quantidade e riqueza de expressões gráficas, algumas registradas apenas naquela região. Motivo de interesse, curiosidade e especulação por viajantes europeus, desde pelo menos o século XVIII, apenas nos últimos 50 anos foram feitas as primeiras tentativas de registro e sistematização das imagens, ainda de forma muito pontual e pouco sistemática.

A pesquisa do professor Carlos Etchevarne pretende reverter esse quadro de desconhecimento científico, identificando os sítios com representações gráficas no território do estado, mapeando de forma padronizada os estilos, gravuras e pinturas, além de determinar territórios estilísticos, estabelecendo seus correspondentes marcos cronológicos.

O projeto irá produzir um verdadeiro “Atlas” com os principais pontos de arte rupestre na Bahia e alimentar um banco de dados para pesquisadores e o público interessado, que será construído no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal da Bahia.

Simultaneamente às pesquisas de campo, será feito um trabalho de educação patrimonial com as comunidades que moram em torno dos sítios de arte rupestre, procurando prepará-las para o convívio e a gestão do patrimônio cultural de cada uma das regiões.

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