Irã diz não precisar de bomba atômica para destruir inimigo
Agência ANSA
Sexta-feira, 22/09/2006 - 15:07
Teerã - O vice-presidente iraniano, Parvis Davudi, advertiu hoje que seu país tem força suficiente para "atingir o inimigo como um raio e destruí-lo" sem a necessidade de armas atômicas, e, por isso, qualquer "potência expansionista" deve evitar a hipótese de ataques.
"Nós queremos a paz, mas advertimos que as potências expansionistas não devem pensar em uma agressão contra o Irã, porque estamos em condições de defender a pátria e o Islã", sustentou o vice-presidente.
Davudi pronunciou um discurso durante o desfile militar em ocasião do 26º aniversário do início da guerra contra o Iraque (1980-1988).
O vice-presidente disse que as Forças Armadas iranianas "não precisam de armas atômicas para mostrar sua potência, que está baseada em nossa fé". "Nossos leões são tão fortes que podem atingir o inimigo como um raio e destruí-lo", advertiu.
O Irã enfrenta uma crise devido a seus programas nucleares, aos quais os Estados Unidos atribuem fins militares orientados à construção de armas atômicas, acusação que foi rejeitada em várias ocasiões por Teerã.
Os Estados Unidos pedem que o Irã seja privado do recurso de enriquecimento de urânio e submetido a sanções no Conselho de Segurança das Nações Unidas, caminho impugnado pela China e pela Rússia, dois dos cinco países com direito a veto, e questionado por potências européias.
O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, disse quinta-feira em Nova York, em coletiva de imprensa na sede das Nações Unidas, que Teerã "não precisa da bomba" atômica e ratificou a vontade de seu governo de negociar sob condições "justas".
A União Européia ampliou os prazos de negociações com o Irã e, para isso, deu pleno mandato ao alto representante para Política Exterior e Segurança da União Européia, Javier Solana.
Durante o desfile militar, o Irã mostrou mísseis com um alcance de dois mil quilômetros, capazes de chegar a Israel.
"Se os chefes da arrogância mundial querem agredir o Irã, os filhos de Ruollah (Khomeini) e os defensores da guia religiosa Seyed Ali (Khamenei) lhes darão uma lição inesquecível e os eliminarão sob os golpes de nossos mísseis", sustentou um locutor.
Ao grito de "Deus é grande", o locutor afirmou, perante as Forças Armadas, "o direito do Irã à tecnologia nuclear", enquanto sobre a tribuna central do ato foi colocado um cartaz com a frase "Resistiremos até o fim".
O ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani advertiu, na oração das sextas-feiras, que os sucessos no Iraque constituem "uma vingança divina contra Saddam Hussein e contra os Estados Unidos", motivo pelo qual "o Irã é o mais forte na região". "Deus escutou as orações do povo e castigou as potências agressivas", sustentou.