Uso de embalagens vazias ameaça saúde de trabalhadores
Sexta-feira, 22/09/2006 - 11:46
Ilhéus - Qual a destinação dos recipientes dos herbicidas, fungicidas e outros produtos usados na agropecuária? Como isso afeta a saúde das pessoas e o meio ambiente? Foi em busca dessas respostas que os participantes do Treinamento em Segurança e Saúde para o Trabalhador Rural, que acontece em Ilhéus, visitaram a Central de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos da Região Cacaueira. Em funcionamento há quatro anos, a unidade funciona na rodovia Ilhéus/Itabuna.
O treinamento é promovido pela Secretaria do Trabalho, Assistência Social e Esporte (Setras), através da Superintendência de Desenvolvimento do Trabalho (Sudet). Os 45 alunos foram ciceroneados pelo engenheiro agrônomo Clécio Teles, da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). Ele explicou que foram criadas oito centrais de recebimento em todo o Estado.
A implantação da central, determinada pela legislação em vigor no país, é construída em parceria pelos revendedores, fabricantes e organismos estaduais e municipais. As visitas, que incluíram ainda o Centro de Treinamento e a Unidade de Controle Biológico da Ceplac, constituem a aula de campo do curso.
No caso da Central da Região Cacaueira, a parceria envolve a Prefeitura de Ilhéus, a Ceplac, a Adab e a EBDA, além do Instituto Nacional de Embalagens Vazias. Um dos principais riscos das embalagens vazias é a utilização para fins domésticos, como transporte de água e armazenamento de alimentos. E jogados na natureza, contaminam, poluem e não se degradam.
Um antigo galpão da Ceplac foi cedido para abrigar a Central. Logo na chegada, as embalagens são separadas segundo o tipo de plástico ou metal. E as caixas de papelão, caso acusem contaminação pelo vazamento de algum produto. A etapa seguinte é a prensagem e enfardamento do material e o envio para reciclagem. Todo o processo é feito obedecendo a normas de segurança e os funcionários trabalham com roupas e equipamentos especiais.
O grupo visitou ainda o Centro de Treinamento da Ceplac, onde o engenheiro Jackson Oliveira mostrou os riscos da utilização de agrotóxicos, principalmente a dosagem adequada e necessária. Para ele, o mais importante é acertar o chamado “alvo biológico” e isso implica no conhecimento. Assim, o desconhecimento gera ineficiência e desperdício de recursos. Os técnicos fizeram em seguida uma demonstração do uso de equipamentos com roupas especiais.
Nesta sexta-feira (22), o engenheiro agrônomo Armando Barbosa Xavier, da Fundacentro, fala sobre agricultura orgânica e a Norma Regulamentadora 31, que trabalho sobre questões de segurança do trabalho na área rural. À tarde, o sargento Ivan Pereira, do Corpo de Bombeiros, demonstrará técnicas de primeiros socorros.
O treinamento, do qual participam 45 representantes de treze municípios da região do Litoral Sul da Bahia, termina no sábado (23), quando a irmã Bernadete Epaminondas fará uma oficina de manipulação de ervas medicinais e produção de remédios caseiros. Os próximos treinamentos ocorrerão, até o final do ano, em Santo Amaro e Campo Formoso.