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Terreno em Paripe é invadido e 800 pessoas podem ficar sem moradia
Sexta-feira, 22/09/2006 - 10:27

Salvador - O sonho da casa própria para cerca de 800 pessoas do subúrbio ferroviário está ameaçado a não se tornar realidade. Depois de dois anos de luta para conseguir aprovar todos os trâmites legais - com o apoio dos governos federal, estadual e municipal -, o terreno doado pela Prefeitura de Salvador, em Paripe, foi ocupado por 408 famílias na véspera da assinatura do contrato com a Caixa Econômica Federal, que seria realizada no último sábado (16), mas cancelada diante do impasse. Este seria o primeiro contrato do programa federal Crédito Solidário a ser assinado.

O projeto será executado em duas etapas. Nesta primeira, que recebeu investimento de R$ 4,230 milhões (R$ 3,230 milhões do governo federal e R$ 1 milhão, do estadual), serão construídas, em regime de mutirão, 200 unidades a ser entregues em maio de 2007. Na etapa final, serão construídas mais 36 unidades. Todas as famílias beneficiadas com o programa possuem renda de até dois salários mínimos.

De acordo com Sérgio Bulcão, coordenador da União Por Moradia Popular da Bahia (UMP-BA), entidade responsável pelo projeto no Estado, o motivo da invasão seria pelo fato da entidade não concordar com reivindicações feitas pelos invasores, consideradas injustas.

Segundo ele, “em junho, conversamos com essas famílias, que não são uma associação como dizem, e fizemos um acordo na Sehab (Secretaria Municipal de Habitação) de que a segunda etapa do projeto seria destinada para atender justamente estas pessoas que agora invadiram o terreno. Mas depois do acordo feito, eles reivindicaram que as famílias teriam que ser beneficiadas nesta primeira etapa, o que é inviável e injusto com as outras pessoas já selecionadas e com todos os trâmites burocráticos aprovados. Como não aceitamos, eles resolveram invadir”, explica Bulcão.

Conforme Marli Carrara, membro da UMP-BA, todos os caminhos burocráticos para viabilizar o projeto foram previamente discutidos com a comunidade local. “Desde a formulação arquitetônica do projeto até a seleção das famílias foram feitos em parceria com as próprias associações da região. Como a associação da Gameleira, inclusive, proponente do projeto, da Joanes Leste do Lobato, da Lagoa do Cocisa, da 20 de Novembro. Também foi necessário fazer parceria com o governo estadual, através da Secomp (Secretaria de Combate à Pobreza e à Desigualdade Social da Bahia), e com a prefeitura, através da Sehab”.

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