Curso forma agentes para combate ao turismo sexual
Sexta-feira, 22/09/2006 - 07:35
Lauro de Freitas ( BA) – Debater as causas e conseqüências do turismo sexual, do tráfico internacional de mulheres e socializar os meios de prevenção. Este é o foco do Curso de Formação de Agentes Multiplicadores Voluntários, realizado pela Secretaria de Políticas para Mulheres-SPM de Lauro de Freitas, em parceria com o Centro Humanitário de Apoio à Mulher – Chame. O curso será encerrado hoje (22) no Centro de Referência no Atendimento à Mulher em Estado de Violência Lélia Gonzalez, em Villas do Atlântico, a partir das 8h. Participam do treinamento integrantes dos movimentos sociais de mulheres, da sociedade civil e representantes da SPM e do Chame.
Segundo Raimunda Oliveira, assessora técnica da SPM, o curso é o primeiro passo no combate e prevenção à exploração sexual de mulheres em Lauro de Freitas. "Queremos que nossas mulheres tomem conhecimento dos riscos e saibam se prevenir destes abusos”. Além do papel multiplicador das formas de prevenção, os agentes capacitados no curso desenvolverão um estudo da realidade no município.
Coordenadora geral do Chame, Jaqueline Oliveira afirma que a migração feminina internacional (saída de mulheres brasileiras para o exterior) é uma prática comum, apesar de condenada por lei. Segundo ela, os índices das mulheres que vão para o exterior são difíceis de medir. "Muitas mulheres vão em busca de um casamento perfeito ou oportunidade de emprego que não conseguiram no Brasil. Outras vão realmente para trabalhar em bordéis, mas desconhecem as condições de trabalho e passam a ser exploradas por cafetões. Não temos como impedir a ida, e só tomamos conhecimentos pela retenção de passaporte no destino ou pelo pedido de ajuda", explica a coordenadora.
Jaqueline Leite ressalta que os países europeus são os maiores "importadores" das brasileiras. "A beleza exótica da mulher brasileira é mais atraente ao homem europeu. Poucas vão para os Estados Unidos e Canadá. O principal destino destas mulheres são Portugal e Espanha, por causa dos vôos diretos, e de lá elas são espalhadas por toda a Europa, principalmente para a Alemanha, Suíça e Itália".
O turismo sexual, outro ponto de preocupação para as organizações de mulheres, deprecia a imagem não só do país, mas principalmente da mulher brasileira no exterior, além de reproduzir papéis sexistas, fomentar o tráfico internacional de pessoas e o abuso sexual de crianças e adolescentes.
Para Jaqueline Leite, "o turismo sexual é a junção de duas indústrias. Uma é a do turismo, sempre crescente em nosso país, e a outra é a do sexo, também em ascensão. O que une as duas é a propaganda feita no exterior. É cada vez mais comum encontrarmos cartões postais do Brasil com imagens de mulheres semi-nuas". Jaqueline também informa que nos últimos três anos o turista italiano é o que mais visitou o país para este fim.