Ex-presidente da Telecom será investigado em caso de escula
Agência ANSA
Quinta-feira, 21/09/2006 - 11:11
Roma - O ministro italiano da Justiça, Clemente Mastella, ordenou uma investigação administrativa para determinar se as estruturas judiciais estão envolvidas nas escutas telefônicas ilegais, que levaram à prisão de 21 pessoas, e qual foi a participação do ex-presidente da Telecom Itália, Marco Tronchetti Provera, no caso.
Alguns deputados da situação e da oposição pediram hoje que o governo de Romano Prodi explique ao Parlamento o caso das escutas telefônicas, que envolve um responsável da Telecom Itália.
Os 21 presos ontem, 11 deles policiais e militares, são acusados de associação para delinqüir, por terem organizado um centro de escutas ilegais que espionava "milhares de pessoas". Segundo os investigadores, esse centro de espionagem foi criado em 1997 para obter informações confidenciais econômicas e políticas sobre milhares de pessoas, que depois seriam vendidas ou utilizadas para diversos fins.
Duas pessoas, Giuliano Tavaroli, então responsável pela segurança da Telecom Itália, e Emanuele Cipriani, investigador particular, são considerados os cabeças desse centro de escutas ilegais e de ter obtido 20 milhões de euros com essa atividade.
Os juízes descreveram "um sistema de investigação ilícito e de conservação de dados que constituía um instrumento de pressão, de condicionamento, de ameaça e extorsão, concentrado nas mãos de um restrito grupo de pessoas".
Entre os espionados ilegalmente estavam políticos, banqueiros, empresários e jogadores de futebol. "Milhares de nomes foram encontrados nos computadores e em documentos apreendidos", escreveu hoje a imprensa.
"Sendo a primeira empresa de telefonia da Itália, a Telecom criou uma central de espionagem ilegal que não tem precedentes na história de nosso país", criticou hoje o jornal La Repubblica, de Roma, em seu editorial.
A central ilegal espionava desde empregados da própria Telecom a políticos e personalidades do mundo financeiro, entre os quais estão Cesare Geronzi (do Capitalia), Calisto Tanzi (da Parmalat) e Vittorio Ripa di Meana.
O ex-responsável pela segurança da Telecom, Tavaroli, o diretor da agência de investigações Polis d'Istinto, Cipriani, e o atual gerente da Pirelli, Pierguido Iezzi, estão presos desde ontem, junto a policiais e militares da guarda das finanças (polícia financeira), que utilizavam os privilégios de seus cargos para obter informações sigilosas.
Essa é a última parte da investigação, na qual diversas pessoas foram presas e que inevitavelmente envolve Tronchetti Provera, que renunciou ao cargo na semana passada, pois Tavaroli e o centro de escutas ilegais, segundo o juiz encarregado pelo processo, "estavam sob controle direto do presidente do grupo Telecom".