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Fazendas do Pará têm a maior incidência de trabalho escravo no país
Quarta-feira, 20/09/2006 - 11:07

Brasília - O Pará é o estado brasileiro com a maior lista de fazendas flagradas explorando trabalhadores escravos, de 2002 e 2004. Entre os cinco primeiros municípios do ranking, quatro são paraenses. Só no município de São Félix do Xingu, 277 trabalhadores foram libertados em 19 ações

O dado consta do relatório Trabalho Escravo no Brasil do Século XXI, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que associa a prática aos desmatamentos na Amazônia Legal. De acordo com o relatório, os assassinatos no campo estão relacionados aos conflitos agrários.

O Pará, por exemplo, está na tabela do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentada no relatório, como um dos estados que mais desmatou áreas da Amazônia Legal em 2002.O estado também figura na lista de assassinatos no campo da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

São paraenses os três primeiros municípios com o maior número de mortes - Novo Repartimento, Marabá e São Feliz do Xingu. Neste último, 11 pessoas morreram entre 2001 e julho de 2004. “O que não significa que a causa das mortes esteja relacionada ao trabalho escravo, e sim que esses são locais perigosos para os trabalhadores, pois são palco de conflitos”, diz o texto da pesquisa.

De acordo com o coordenador do relatório, Leonardo Sakamoto, com o cruzamento de dados “foi claramente possível enxergar focos de trabalho escravo em regiões de fronteira agrícola do estado. Os mapas mostram que a expansão de plantações coincide com a libertação de trabalhadores”, afirmou.

As atividades desenvolvidas pelos libertados também ratificam a tese. “A maioria dos trabalhadores rurais libertados está em serviço da abertura de trilha na mata virem para a entrada de motosserras, derrubada de árvores para a produção de cercas e retirada de tocos e raízes para a preparação do solo visando a implantação de pastos ou lavouras”, informa a pesquisa.

O relatório da OIT, divulgado hoje (20) analisou dados coletados de 2004 a janeiro de 2005 pelo Ministério do Trabalho. A pesquisa teve como meta avaliar o Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo proposto pelo governo federal em 2003.

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