Brasília - A Polícia Federal prendeu em 15/9, em São Paulo, o empresário Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso, e o advogado e ex-policial federal Gedimar Pereira Passos, acusados de intermediar a compra de um dossiê que mostraria o envolvimento de integrantes do PSDB na "máfia das ambulâncias". A PF apreendeu com os dois cerca de R$ 1,7 milhão que seria utilizado para a compra do dossiê.
Em depoimento na PF, Gedimar Passos apontou o então assessor especial da Presidência da República Freud Godoy como o responsável por repassar esses recursos. Após a acusação, Godoy pediu exoneração do cargo e negou o envolvimento na compra do dossiê.
O material incluiria fotos do ex-ministro da Saúde José Serra em solenidade de entrega de ambulâncias da empresa Planam, em 2001. Os documentos também envolveriam o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin. Também foram apreendidas cópias de vídeo e DVD.
Venda do dossiê
O dossiê teria sido elaborado pelo empresário Luiz Antonio Vedoin, um dos donos da Planam, e o seu tio, Paulo Roberto Dalcol Trevisan. Eles foram presos em Cuiabá (MT) apontados como os que venderiam o documento a integrantes do PT em São Paulo. Vedoin é considerado o coordenador do esquema de superfaturamento de ambulâncias compradas por prefeituras com recursos de emendas parlamentares. A prisão de Vedoin ocorreu no mesmo dia em que a revista IstoÉ publicou reportagem de capa em que ele acusa Serra de facilitar a ação da máfia das ambulâncias. As acusações envolvem ainda Barjas Negri, secretário-executivo da Saúde na gestão Serra, que assumiu a pasta em 2002, quando o ex-ministro deixou o governo para concorrer à Presidência da República.