Votos nulo e em branco lideram intenção de voto no Equador
Agência ANSA
Sábado, 16/09/2006 - 11:35
Quito - O voto nulo e o branco lideram a intenção de voto no Equador, um mês antes das eleições gerais de 15 de outubro - as primeiras desde a destituição do presidente Lucio Gutiérrez, em abril de 2005.
Segundo a última pesquisa de intenção de voto, realizada pela Cedatos-Gallup, 26% afirmam que votarão nulo ou em branco. Além disso, ao serem consultados se decidiram ou não em quem votar, 55% dos equatorianos disseram estar indecisos, já que os candidatos não os convencem nem despertam simpatia ou porque a política não os interessa.
Segundo analistas, essa porcentagem reflete o desencanto e apatia dos equatorianos pela política e que o país chega a essas eleições em um "momento difícil e de grande desgaste", após a saída de Gutiérrez.
Nas eleições de 15 de outubro, os equatorianos elegerão o próximo presidente entre treze candidatos. Destes, o favorito é o ex-vice-presidente Leon Roldós (22%), com um discurso centro-esquerdista e que volta a corrida presidencial após perder em 2002.
Em segundo lugar está Rafael Correa, simpatizante do presidente venezuelano Hugo Chávez e classificado como candidato "outsider" com 17%, superando na última semana a direitista Cynthia Viteri, do partido Social Cristão, na terceira posição com 15%.
Em quarto lugar apareceu o milionário Alvaro Noboa, com 10%. Os outros candidatos, incluindo o indígena Luis Macas da Confederação de Nacionalidades Indígenas, estão entre 4 e 1%.
"Mas não há nada definido e as últimas semanas serão decisivas", segundo Angel Polibio Córdova, diretor de Cedatos, que estimou que as porcentagens poderiam variar no último mês.
Sobre a alta incidência de intenções de voto nulo e em branco, segundo o analista Simón Pachano, da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO), "mesmo que não seja um verdadeiro voto nulo nas eleições, porque a porcentagem de voto nulo é um pouco maior ao das eleições anteriores - é sempre um importante índice de voto nulo".
De fato, vários grupos sociais e formadores de opinião iniciaram campanhas a favor do voto nulo, principalmente na eleição de deputados, como uma rejeição ao sistema político e exigem que o novo governo convoque uma Assembléia.
O Equador, tem um desemprego de 10% e um subemprego e informalidade de 60% de quase 13 milhões de equatorianos, enquanto mais de um milham saíram do país rumo à Espanha, Estados Unidos e Itália em busca de melhores condições de vida.
Mas o país mostra estabilidade econômica nos últimos seis anos. Desde a dolarização e o aumento dos preços do petróleo (40% das exportações), o país recebeu mais de US$ 10 bilhões, ainda assim Washington suspendeu as negociações para um tratado de livre comércio com os Estados Unidos no fim de março.
A inflação anual está em 3,3%, a dívida externa soma mais de US$ 16 bilhões e o produto interno bruto (PIB) é de US$ 39, 8 bilhões e US$2,9 mil per capita. Porém essa estabilidade não reflete o nível social, porque "os recursos são mal utilizados e são a principal causa das desigualdades", afirma à ANSA Jaime Carrera, do Observatório da Política Fiscal.
"O dinheiro do país é utilizado para gasto para pagamentos de subsídios, de déficits do estado e não foi feito nada para progredir. A estabilidade não é porque o país tenha feito algo, é graça à natureza, que nos dá petróleo", completou.
O presidente para o período constitucional de quatro anos, que iniciará o mandato em 15 de janeiro, substituirá Alfredo Palacio, que deixou a vice-presidência para governar após a destituição de Gutiérrez, em 20 de abril de 2005.