Brasília - O ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União (CGU) disse que existem mais indícios do envolvimento do ex-ministro da saúde José Serra (PSDB-SP) com a máfia dos sanguessugas além do depoimento da família Vedoin. Ele afirmou que, ao contrário da oposição, vai dar o mesmo tratamento em relação às acusações contra o tucano e às denúncias contra ex-ministros do presidente Lula.
Em entrevista à revista Istoé deste fim de semana, os empresários Luiz Antonio Vedoin e Darci José Vedoin, donos da Planam, afirmam que a venda de ambulâncias superfaturadas no esquema dos sanguessugas cresceu durante a gestão de Serra e Barjas no ministério.
Hage informou que todos os esquemas de corrupção investigados pela controladoria tiveram origem em governos anteriores. O ministro afirmou que há cópias de documentos encaminhados a Serra e ao ex-ministro Barjas Negri por parlamentares acusados de participação no esquema. Negri assumiu a pasta da Saúde durante a campanha presidencial de 2002.
"As acusações sobre o governo anterior não estão só apoiadas nos depoimentos dos Vedoin, existem documentos, e depoimentos de parlamentares que fazem acusações ao então secretário-executivo (Barjas Negri) e ao ministro (José Serra)", disse Hage.
A assessoria de Serra informou que o candidato minimizou a denúncia, afirmando que "é mais um item do kit baixaria do PT". O tucano deve divulgar uma nota até o final do dia comentando a nova denúncia.
"A credibilidade dada aos Vedoin sobre as acusações ao ex-ministro José Serra tem que ser a mesma a que se atribui a ele quando acusa o governo atual, claro com as reservas próprias de quem é réu e está sob delação premiada", ponderou o chefe da CGU. "Contra o Humberto Costa (ex-ministro da Saúde do governo Lula), os indícios já saltam para conclusão, enquanto com o Serra isso não ocorre", emendou.
Acusações
Segundo a reportagem da revista Istoé, o empresário Darci José Vedoin, teria afirmado que na época em que José Serra e Barjas Negri foram ministros, o esquema da máfia das ambulâncias foi beneficiado. "Na época deles o nosso negócio era bem mais fácil. O dinheiro saía muito mais rápido. Foi quando mais crescemos", disse Darci de acordo com a revista.
Os empresários, presos em maio por pagarem propina em troca de emendas para a compra de ambulâncias, contaram que até 2002, ainda durante o governo Fernando Henrique, a liberação de recursos do Ministério da Saúde para a compra de unidades móveis era praticamente garantida.
"A confiança do pagamento era tão grande que chegamos a entregar cento e tantos carros apenas com o empenho do Ministério, antes de a verba ser liberada", relatou o empresário Darci Vedoin, segundo a reportagem de Istoé.
De acordo com os sócios da Planam, o ex-ministro Barjas Negri, que assumiu a pasta quando Serra partiu para a disputa presidencial, também contribuiu com a fraude. Nessa época, diz a reportagem, um empresário de Piracicaba era o responsável por fazer a ponte entre a empresa e o então ministro.
"Quando o Serra era ministro as operações eram feitas pelos parlamentares. Quando o Barjas deixou de ser secretário-executivo e assumiu o comando do Ministério, ele (o empresário de Piracicaba) passou a ser o responsável pela liberação dos recursos, apesar de não possuir nenhum cargo naquela pasta", relatou Luiz Antonio.
Papéis entregues pelos Vedoin à CPI dos Sanguessugas e à Polícia Federal apontam que, entre 2000 e 2004, a Planam comercializou 891 ambulâncias pagas com recursos de emendas parlamentares ao orçamento da União. Dessas, 681 (quase 70%), foram vendidas até 2002.
Os donos da Planam relataram que iniciaram a compra de emendas ao orçamento em 1998, negociando diretamente com os parlamentares. Segundo eles, na época, a bancada do PSDB "conseguia aprovar tudo e, no ministério (o dinheiro) era rapidamente liberado".