Salvador - Celeiro cultural com grandes representantes das mais diversas vertentes artísticas, a Bahia ainda conhece muito pouco sobre sua economia criativa. A necessidade de obter informações mais estruturadas e assim expandir as indústrias criativas - atividades que produzem bens simbólicos e serviços com conteúdos culturais sujeitos a direitos autorais, a exemplo de dança, teatro, música, fotografia, televisão, cinema e circo -, se torna ainda maior com a perspectiva de o estado abrigar o Centro Internacional de Economia Criativa – uma espécie de referência mundial no segmento.
O grande potencial de desenvolvimento da indústria criativa baiana e a importância do setor para a economia do estado estiveram no centro das discussões ontem (15), no encerramento do II Encontro de Economia Baiana – Desafios do Desenvolvimento Baiano, no Centro do Convenções da Bahia. O tema “Debate atual sobre indústrias criativas: uma primeira aproximação para o Estado da Bahia” foi abordado pela economista Carmem Lúcia Castro Lima, com a participação de centenas de estudantes e profissionais do mercado baiano de economia. O encontro foi promovido pela Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (Sei) e Universidade Federal da Bahia (Ufba), com apoio da Petrobras.
No debate, Carmen Castro Lima, que trabalha na Unidade de Estudos e Pesquisas da Desenbahia, apresentou sua recém-concluída pesquisa, que reforça a dimensão econômica alcançada pela indústria criativa na Bahia. Mestre em Economia e doutoranda em Cultura e Sociedade, Carmen Lúcia concentrou sua pesquisa - trabalho preliminar de sua tese de doutorado - em profissionais que têm como ocupação principal as atividades ligadas às artes performáticas (dança, teatro, música, circo, etc.), edição e publicação, filme e vídeo, fotografia, preservação do patrimônio, programas e serviços de computador, publicidade e propaganda, serviços de arquitetura e televisão e rádio. O estudo, baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referentes ao ano de 2004, concluiu, por exemplo, que naquele ano, 0,7% das pessoas ocupadas na Bahia tinham a indústria criativa como principal atividade, o equivalente a 41 mil pessoas.
“É um número bastante significativo. A título de comparação, vale notar que a fabricação de papel e celulose ocupava 4 mil pessoas, a indústria metalúrgica, 9 mil, a indústria têxtil e do vestuário, 25 mil, a fabricação de coque e refino de petróleo, 7 mil e a fabricação de produtos químicos, 35 mil”, citou a pesquisadora, ressaltando que os segmentos enumerados representam uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia. |