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:: Opinião ::
Emprego e Renda
Educação, crimes sexuais, tóxicos e matanças.
  • Por Wellington da Fonseca Ribeiro *
  • Quinta-feira, 14/09/2006 - 00:09

    Os ventos reais mostram com boa visibilidade que a luta, a concorrência, a competição, a disputa pelo emprego, o trabalho, ficará ainda mais acirrada neste Brasil hexacampeão de mãos na bola.

    Os números da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1998, revelam que o pentacampeão mundial é o quarto do ranking dos países com mais desempregados - perde apenas para Índia, Indonésia e Rússia.

    Foto: Silfredo Freitas
    Wellington da Fonseca Ribeiro é jornalista, professor e bacharel em Direito.
    Para onde vai, então, serenos leitores, a nossa violência urbana e rural do cotidiano? Sendo assim, que até o Satanás tenha pena de nós e dos demais!

    O novo hexacampeão americano, líder natural da América do Sul, insiste em continuar com o salário mínimo mais pobre dos países vizinhos - Mercosul? Essa é de até deixar branco o bispo Tutu... O Dieese informa-nos que o salário mínimo na Argentina vale R$ 376; no Uruguai, R$ 338 e, no Paraguai, R$ 263. Isso não é uma vergonha - mas, claramente, sem o intuito da crítica fácil, vulgar, uma grande vergonha.

    O quinto general do recente ciclo ditatorial - "ditadura nunca mais" ou, como bem dizia o professor Raimundo Nonato da Fonseca, mestre respeitado de latim português, "ditadura nem de Deus"-, o ex-presidente João Batista Figueiredo, em certo momento, quando exercia o máximo cargo, chegou a declarar que daria um tiro na "cuca" se ganhasse um salário mínimo, fato, aliás, tão conhecido como a frase do ex-governador mineiro Francelino Pereira - "Que país é esse?".

    No atual quadro de vida do País, tomando-se como fundamento o Decreto-lei no 339, de 03/04/38, do governo Getúlio Vargas, guru do ex-governador Leonel de Moura­ Brizola - o único grande político brasileiro que teve a coragem de bater de frente, enfrentar e brigar fundo com o poderosíssimo Roberto Marinho, dono do complexo Globo -, o salário mínimo no Brasil deveria ter sido fixado em 810 reais. Isso para fazer face aos gastos previstos no artigo 7°, IV, da Constituição Federal em vigor.

    Estudos elaborados pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - sobre a primeira década do século XXI, no Brasil, são preocupantes. Observando-se a nossa realidade demográfica, especialistas afirmam que somente o crescimento econômico continuado e políticas públicas voltadas para a formação de mão-de-obra podem desanuviar o cenário. Cálculos indicam que o Brasil deveria ter criado quatro milhões de postos de trabalho para chegar no ano 2000, com desemprego de 5,66%, mesmo nível de 1997.

    Não se tem dúvida de que a explosão de mão-de-obra resultará num mercado de trabalho muito mais disputado no futuro. Levemos, ainda, em consideração, que as exigências de qualificação profissional são crescentes e, ao lado dessa situação, os postos de trabalho se encolhem. Ter um emprego, um trabalho decente - um direito de todos numa sociedade equilibrada - passou a ser um privilégio, um sonho. E, diga-se com ênfase, um sonho que não pode acabar... O sonho do emprego tem que ser concretizado para todos, do contrário, os índices de criminalidade sempre estarão em ascensão. A elite que se cuide. A matança tende a aumentar.

    A Região Metropolitana de Salvador concentra o maior número de desempregados – fato social que, sem dúvida, tem certa repercussão no crescimento da criminalidade e de ocorrências violentas. Nesse contexto, podemos verificar, sentir, medir e avaliar as relações de labor, de trabalho, e o temor do desemprego. A busca pelo emprego tornou-se uma questão de vida ou morte. Desemprego é sinônimo da quebra da auto-estima.

    Observamos que boa parte de desempregados da base da pirâmide social ­- pedreiros, eletricistas, motoristas, dentre outras categorias – dão para beber e aí há amplas possibilidades da cobra fumar. E daí para a prática de crimes sexuais é um passo dentro de suas casas. O Estado só vencerá os comerciantes de tóxicos se desmantelar, derrubar, as altíssimas receitas milionárias dos negociantes das drogas.

    Na outra ponta, temos os cafajestes, os chamados canalhas de escritório. São patifes que infernizam a vida dos empregados no ambiente do trabalho.

    Praticam agressões para minar, derreter, a autoconfiança do empregado. Utilizam a crueldade nas relações profissionais. São as disputas internas nas repartições públicas, motivadas pela aspiração de "subir" de cargo ou função, mesmo que, para que isso aconteça, tenha que se atropelar quem tiver na frente. Vale tudo, inclusive, a covardia, a arma dos fortes contra os fracos.

    Ainda bem que as relações sociais, trabalhistas e humanas nas redações dos jornais, emissoras de televisão e rádio são consideradas de razoáveis a boas. É ou não é assim, senhores diretores e redatores-chefes?

    Diante dessa realidade, os sindicatos não devem continuar mudos. As humilhações são freqüentes, em parte considerável das empresas e repartições públicas. Evidentemente, toda regra tem exceção e não se pode generalizar. Sucede, todavia, que a maior covardia, que a maior crueldade é a praticada pela elite brasileira, antinacional, entreguista, que vive pensando, amando e sonhando com os países do Primeiro Mundo, notadamente os Estados Unidos, onde a realidade, em quase todos os ângulos da vida e da cultura, é bem diferente da nossa.

    Aludimos que a concentração de renda, praticada durante longos anos pela casta elitista, é a maior perversidade e humilhação praticadas neste país contra os empregados e trabalhadores, a própria população. O Brasil é campeão mundial em concentração de renda. Quando, pelo menos, descendo um degrau, tornar-se-á vice-campeão? O que se deseja é a bola rolando e a renda desconcentrando. E, assim, seremos menos infelizes, valorizando nossas raízes.

    Sem medo de ser feliz, era o que o PT dizia nos seus bons tempos de práticas éticas. A felicidade só se coaduna, só se harmoniza, com a ética e a moralidade. Contra a falsidade!

    Filosofia? Vitória da Bahia!

    Todos sabem que a filosofia e a sociologia foram cassadas dos cursos médios – colegial e técnicos – pelos golpistas de 1964.

    Em 1981, na 34ª Reunião da SBPC em Salvador, eu e Maria Brandão, professora da Faculdade de Filosofia da UFBA, conseguimos que fosse aprovada moção pela recolocação de ambas matérias absolutamente necessárias a formação dos estudantes de nível médio de todo país. Visão ampla da realidade do dia-a-dia da sociedade urbana e rural, fortemente influenciada por todos canais e meios de comunicação.

    Travei com a colaboração de quase toda mídia baiana escrita e eletrônica, durante 25 anos, a pugna pelo retorno da filosofia e da sociologia, obrigatoriamente, conforme o MEC determinou há menos de duas semanas – aos currículos dos cursos colegiais de todo Brasil.

    Aliás, este contextualista luta pela educação pública de qualidade há mais de 30 anos.

    A doutora Marilena Chauí, recentemente, em palestra para muitíssimos universitários na Faculdade Visconde de Cairu, a convite do parlamentar baiano que sucedeu Josias Gomes, na regional do PT, brilhante federal itabunense, não provou nada de prático em favor dos alunos que antecedem o ensino superior. Só rolou na palestra de Madalena, da USP, cânticos de louvores morais a seu antigo PT.

    * Wellington da Fonseca Ribeiro é jornalista, professor e bacharel em Direito. É candidato a deputado federal nº 1226, pelo PDT. Um dos idealizadores e fundadores do Movimento Brasil Brizola (MBB) em 1989 e da Ala Jovem do MDB em 1972, em conjunto com o advogado e várias vezes deputado federal Francisco Pinto, de Feira de Santana (BA).

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