Buenos Aires - O presidente cubano Fidel Castro recebeu ontem pela primeira vez um jornalista estrangeiro no leito onde se recupera em Cuba. Miguel Bonasso, um dos colunistas mais conhecidos da Argentina, não revelou o lugar do encontro por razões de segurança, mas descreveu que o líder cubano está em bom estado de saúde e lúcido. Fidel confessou ao repórter que teve medo de morrer repentinamente.
O presidente contou que corrigiu a versão original do livro "Cem horas com Fidel Castro. Entrevistas com Ignacio Ramonet" até nos piores momentos de sua doença. "Não parei de corrigir o livro (...) queria terminar isto porque não sabia quanto tempo tinha", comentou Fidel segundo Bonasso, que publicou a entrevista, hoje, em Buenos Aires.
Mais adiante, o líder comentou em tom de brincadeira que "não podemos esquecer que a máquina a consertar já tem 80 anos".
Fidel disse ter recuperado "quase metade" do peso perdido depois da cirurgia intestinal a que foi submetido em julho.
"Perdi 20 quilos, mas estou recuperando o peso. Também posso falar com a voz bem alta se eu quiser", afirmou.
O repórter, que atualmente é um dos deputados mais próximos do deputado Nestor Kirchner, contou que tinha visto Fidel pela ultima vez há dois meses e admitiu que o aspecto do líder cubano mudou consideravelmente de maneira negativa.
Segundo a entrevista publicada no Jornal Pagina 12, Fidel sempre teve um aspecto de "cavaleiro fidalgo espanhol" agora mais parecia um personagem quixotesco.
Em relação à Venezuela, o líder assegurou que "ninguém vai conseguir barrar a entrada" do país no Conselho de Segurança da ONU e disse observar "com alegria" o aumento da integração na América Latina.
Bonasso sustenta que o presidente "elogiou Hugo Chávez por sua luta para ingressar no Conselho de Segurança (CS) da ONU e por se aliar às classes médias para fazer mudanças democraticamente".
"Ninguém vai conseguir bloquear a nossa entrada, Chávez criou um modelo indestrutível. Não prega um socialismo extremo, mas realista. Sem dúvida terá êxito em criar um grande partido que reúna e represente todos os revolucionários venezuelanos", disse Fidel.
"Além disso, prometeu realizar todas as mudanças de forma democrática e com consultas ao povo. Não é extremista. Prometeu cooperar com a classe média e com as empresas privadas para apoiarem os princípios da revolução", disse Fidel, segundo Bonasso.
"Um povo tão explorado como o venezuelano merece este caminho. Eu vejo com alegria o aumento da integração na América Latina, processo no qual a Venezuela é um exemplo do que se pode fazer quando um país coloca seus recursos a serviço do povo", concluiu o líder cubano.