Megafone, pandeiro, triângulo, zabumba, timbau... é assim que começa o show da banda “Neto Lobo e a Cacimba”. Só que do lado de fora, antes de subir ao palco. Se para alguns isso pode causar certa estranheza, essa foi a maneira peculiar que o grupo encontrou para chamar a atenção do público e fazer uma espécie de arrastão cultural, além de divulgar as apresentações em espaços abertos, como praias e faculdades.
| | Neto Lobo: "A proposta musical da banda tem como alicerce os elementos nordestinos". | “Neto Lobo e a Cacimba” vive a outra face da música baiana, a música alternativa, e os espaços intitulados “underground”, desde 2001. Canta o nordeste, tendo como pano de fundo a cultura interiorana do líder do grupo, Neto Lobo, compositor, cantor e produtor cultural, vencedor de três festivais de música: Colégio Águia (Salvador), Rafael Serravale (Salvador) e Médio São Francisco (Juazeiro).
“A proposta musical da banda tem como alicerce os elementos nordestinos. Como nasci e me criei no interior da Bahia (Senhor do Bonfim), utilizei uma forte referência da infância, a cacimba, muito característica no sertão, para dar nome ao meu trabalho”, explica Neto Lobo. Cacimba é um termo também conhecido como cisterna, um poço cavado no subsolo para água potável, buraco cavado até um lençol de água, poço. E cisterna quer dizer reservatório de água para chuvas, poço, cacimba.
Neto conta que faz um mix entre suas raízes nordestinas e a percussão afro-baiana e uma fusão do black music, reggae e rock para criar um estilo pop alternativo ou, como foi carinhosamente apelidado pelos fãs, Rock de Tabaréu. A banda é formada por Neto Lobo (composições, voz e violão), Guto Almeida (percussão), Piu (percussão), Alan Fraga (contrabaixo), Duda Brandão (guitarra) e Sidnei Rasta (bateria). Junto, eles ecoam a força da voz e das letras de Neto Lobo, como as composições “Zefirino Faz a Feira”, “Mariana do Amparo” e “Eu sou do Gueto”.
“A banda faz uma viagem pelo universo musical nordestino criando releituras interessantes”, conta o vocalista, que usa como referência a Literatura de Cordel, sua origem nordestina e cultura popular, que produzem, em nível artístico, uma difusão popular da arte folclórica.
“Cantamos os costumes, as crenças ou personagens, reais e imaginárias, como uma poesia popular”, revela Neto Lobo, que criou o seu arrastão cultural nos moldes do que se fazia com os folhetos ilustrados (Cordel) expostos ao povo amarrados em cordões, estendidos em pequenas lojas de mercados populares ou até mesmo nas ruas, principalmente das cidades do interior e nos subúrbios das grandes cidades.
A banda - “Neto Lobo e a Cacimba” vai tocar no Circo Picolino no próximo dia 16 (sábado), na inauguração do Botekim do Marimpim, no Circo Picolino, às 22h, com ingresso a preço popular (R$ 5,00). Nos dias 23 e 30/09, a banda se apresenta no Tangolomango, no mesmo horário.
As músicas que estão sendo trabalhadas na divulgação da banda foram gravadas durante uma apresentação na Quadra do Male, em 2005, ao vivo. Agora, o grupo está gravando o primeiro CD (single). Inicialmente, serão gravadas duas músicas, “Eu Sou do Gueto” e “Ladeira”, com a produção de André T.
A banda já se apresentou para mais de 50 mil pessoas, em diversos shows. Na comemoração do 1º de maio, dia do Trabalhador, no campo Grande; no Rock In Rio Café; no Projeto Som Salvador (Costa Azul, praças Periperi e Cajazeira); Café e Cultura (Rio Vermelho, numa temporada de seis meses, todas as sextas-feiras); Havana Music Bar (numa temporada de dois meses, todas as sextas-feiras e, posteriormente, todos os domingos); no The Dark Side (Boca do Rio); Aeroclube Plaza Show (Praça de alimentação); Terreiro de Jesus (Pelourinho); Quadra do Malê De Balê; Galpão Cheio de Assunto (Djalma Dutra)); Teatro SESI (Rio Vermelho); VI Mercado Cultural e em algumas cidades do interior da Bahia, como Santo Amaro, na Festa da Purificação.
Em outubro de 2006, “Neto Lobo e a Cacimba” segue para o Rio de Janeiro, onde vão experimentar o mercado musical. “Na verdade, eu e o meu irmão, Guto Almeida (percussão), já tocamos no Rio em 2005”, relembra Neto. Ele faz referência a uma viagem curiosa... “fomos de carona para o Rio de Janeiro com R$ 100,00, um violão emprestado e um pandeiro. Conseguimos tocar em vários lugares, como na Feira de São Cristóvão; no bar Severina, na Glória; na Estação da Lapa, no bar Delicadezas e Brutalidades; e na Lona Cultural de Vista Alegre”.
O sucesso foi tanto, que após uma viagem de ida de caminhão para Campos e de lá para o Rio de Janeiro os dois retornaram para Salvador de avião, graças ao dinheiro dos shows. “Desta vez fizemos um planejamento para voltar com toda a banda (de ônibus)”, comenta.
Na primeira experiência no Rio de janeiro, Neto fez entrevistas com muitos artistas. Como é produtor e comentarista de um programa de rádio na Educadora, o Rock’N Geral, desde 2003, quando esteve no Rio fez matérias para a rádio com Léo Gandelman, Jorge Vercilo, Paulinho Mosca, Martinália (filha de Martinho da Vila), banda Plebe Rude, entre outros.
Neto Lobo também compôs e produziu as trilhas sonoras dos espetáculos teatrais “A Lua” (peça infantil em cartaz no teatro Baiano de Tênis em 1994 e 1995); “A Sinaleira” (peça teatral da campanha baiana de trânsito em 1996); “Sítio do Pica Pau Amarelo” (projeto escola em 1997 e 1998) e produziu os discos independentes das bandas “Departamento Humano”, “Kaçola Elétrica” e “Anjos Avessos”, além do evento, na Concha Acústica, das bandas 14 BIS e Capital Inicial, entre 1992 e 1993. “Desde o início da banda, na condição ambígua de vocalista e produtor musical, também organizo meus próprios eventos visando a criação de espaços alternativos para a proliferação da musicalidade do movimento ‘undergroaund’”, finaliza Neto.
Shows de “Neto Lobo e a Cacimba” : Circo Picolino, dia 16 (sábado) às 22h Tangolomango: dias 23 e 30/09 Ingressos: R$ 5,00 |