Florianópolis - Milhares de participantes do Festival Mundial da Paz, reunidos desde o dia 1º de Setembro em Florianópolis, aprovaram hoje um documento universal pela paz que será entregue à Organização das Nações Unidas.
O documento será encaminhado ainda hoje à representante da ONU no Brasil, a vietnamita Kim Bolduc, pela coordenadora do Festival, Dulce Magalhães, pelo reitor da Universidade Internacional da Paz (Unipaz), Pierre Weil, e por uma criança, a representar todas as crianças do mundo.
Segundo os organizadores do Festival, o documento é uma Declaração Universal dos Direitos da Paz e serve de paradigma para a formação de governos de paz, para o estabelecimento de políticas públicas e de currículos escolares baseados nos seus princípios.
"Queremos promover uma transformação na visão coletiva de projeto social e capacitar pessoas para vivenciar e aplicar a cultura de paz nas suas comunidades", afirmou à Lusa a coordenadora do festival, Dulce Magalhães, doutora em Filosofia pela Universidade Columbia.
Segundo a filósofa, o desejo de paz não pode ficar apenas na esfera individual, mas deve estabelecer também espaços de poder.
Durante os seis dias de realização, o Festival da Paz reuniu em Florianópolis 12 mil a 15 mil pessoas, de acordo com as estimativas dos organizadores.
Além de palestras, o evento ofereceu mostras de arte, cinema, fotografia, artesanato, oficinas sobre danças, comunicação não violenta, mediação de conflitos e reuniu milhares de pessoas numa caminhada pela paz nas ruas de Florianópolis.
O festival foi organizado pela Universidade Internacional da Paz (Unipaz), uma rede com 28 unidades em oito países, entre eles Portugal, com o objetivo de articular as redes solidárias em redor do mundo para manifestações em prol da paz.
O reitor da Unipaz, o francês Pierre Weil, recebeu o título de "Ícone da Paz", concedido a pessoas que se destacaram em defesa da paz no mundo.
Professor emérito da Universidade de Minas Gerais, Pierre Weil também foi nomeado para o Prêmio Nobel da Paz em 2003 e premiado em 2000 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pela sua obra em prol da paz.
"A guerra precisa ficar fora da lei. É preciso declarar a paz como direito fundamental e definitivo", defendeu o francês durante o festival.
Sem fins lucrativos, a rede internacional Unipaz começou as suas atividades em Brasília, em 1987, e atualmente está, além de Portugal, na Argentina, Equador, França, Bélgica, Israel e Honduras. |