Annan qualifica o holocausto de ''fato histórico inegável''
Agência Lusa
Domingo, 03/09/2006 - 11:58
Teerã - O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, qualificou hoje em Teerã o holocausto como "fato histórico inegável", no termo de uma visita oficial de 48 horas ao Irã.
Antes, o porta-voz da diplomacia iraniana, Hamid Reza Assefi, tinha considerado que a amplitude desse acontecimento é em geral "muito exagerada" no plano da opinião pública.
"A tragédia do holocausto é um fato histórico inegável. Devemos ensinar sobre a Segunda Guerra Mundial às nossas crianças e temos de ter presente que as palavras podem fazer mal", disse Annan numa conferência de imprensa em Teerã.
Assefi, por seu turno, admitiu "ter visto alguns desses campos de concentração na Alemanha Oriental e na Polônia" quando era embaixador e que, na sua opinião, tudo o que hoje se diz sobre o holocausto é "um exagero".
O funcionário do ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano acrescentou que o número real de vítimas do holocausto está "muito longe daquilo que se diz".
Assefi respondia a perguntas sobre uma conferência internacional agendada para de os dias 11 e 12 Dezembro em Teerã, na qual especialistas serão chamados a debater o holocausto.
O diplomata, por outro lado, justificou com a "liberdade de expressão" uma exposição de caricaturas sobre o holocausto atualmente aberta ao público em Teerã.
"O holocausto não é um assunto sagrado de que não se possa falar", disse.
Kofi Annan considerou, no entanto, que a liberdade de expressão é um direito que deve ser exercido com "sensibilidade e discernimento".
Durante um encontro mantido durante a visita com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Manuchehr Mottaki, Annan disse-lhe que "não foi ver a exposição, por a achar uma iniciativa de muito mau gosto".
"Ele condena estas caricaturas, tal como também condenou as caricaturas do profeta Maomé", declarou à imprensa um porta-voz de Kofi Annan, Ahmad Fawzi.
O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, questionou recentemente como é que foi possível que a liberdade de expressão tenha permitido a divulgação das caricaturas do profeta mas tenha impedido que se fale sobre a realidade do holocausto.
Ahmadinejad, há alguns meses atrás, qualificou o holocausto de "mito" e provocou escândalo ao atacar verbalmente a existência do Estado de Israel, que qualificou de "tumor".