Carteira de motorista por pontos reduz mortalidade rodoviária
Agência Lusa
Quarta-feira, 30/08/2006 - 17:13
Barcelona, Espanha - O ministro do Interior espanhol revelou hoje que desde a introdução da carteira de motorista por pontos, a 01 de Julho, houve menos 120 mortos nas estradas de Espanha, comparativamente ao período homólogo em 2005.
Alfredo Pérez Rubalcaba disse aos jornalistas que a avaliação dos primeiros dois meses de entrada em vigor da nova medida rodoviária demonstra que pode haver "optimismo moderado" quanto à segurança na estrada.
O governante não revelou dados totais do número de vítimas mortais, ainda que no final de Julho os números divulgados pela Direcção Geral de Trânsito confirmavam uma redução de quase 25 por cento no número de mortos nas estradas.
As autoridades espanholas consideram que a redução do número de mortes se deve diretamente à introdução do sistema de pontos na carta de condução, mediante o qual os condutores têm 12 pontos que são retirados em função das violações ao código de estrada.
Quando chegarem a zero pontos os condutores perdem a carta por um período mínimo de seis meses.
Conduzir sob efeito de álcool pode custar até seis pontos, falar ao telefone celular ao dirigir três pontos e lançar uma beata de cigarro pela janela, considerada uma das principais causas de incêndios florestais, custa quatro pontos.
Os pontos são aplicados a par de multas e de outras sanções.
Nas auto-estradas espanholas repetem-se ainda hoje mensagens de alerta aos condutores sobre o novo sistema em vigor que foi amplamente difundido através de extensas campanhas em todos os órgãos de informação.
À semelhança do que aconteceu noutros países onde o sistema foi introduzido, as maiores queixas sobre a carta de condução com pontos vieram de motoristas profissionais que defendem o direito a terem mais pontos por passarem mais tempo na estrada.
Espanha, que tem uma frota estimada em 26 milhões de veículos, tem um dos níveis de sinistralidade rodoviária mais elevados da Europa com 113 mortes por um milhão de habitantes em 2004, comparativamente à média de 95 vítimas mortais que se regista na União Europeia.
Apenas Portugal e a Grécia, dentro do espaço europeu, registram níveis mais elevados de acidentes rodoviários.