Bagdá - Pelo menos 74 pessoas foram mortas hoje no Iraque, 24 das quais num atentado contra um mercado do centro de Bagdá, apesar de garantias do exército norte-americano segundo as quais a situação na capital está a melhorar.
Segundo o exército dos Estados Unidos, a violência diminuiu 46 por cento em Bagdá desde o início de Agosto, em comparação com os meses anteriores.
Contudo, 14 soldados norte-americanos morreram desde domingo no Iraque, 12 dos quais em ataques, na sua maioria na região de Bagdá.
Apesar disso, o general norte-americano George Casey, que comanda a Força Multinacional no Iraque, considerou hoje que as forças de segurança iraquianas deverão ter capacidade para assumir a responsabilidade pela segurança do país "nos próximos 12 a 18 meses".
"Prevejo que nos próximos 12 a 18 meses, as forças de segurança iraquianas terão progredido até ao ponto de serem capazes de assumir a responsabilidade pela segurança do país, com um apoio mínimo da coligação", afirmou Casey a jornalistas.
Hoje, pelo menos 24 pessoas morreram e 35 ficaram feridas em Bagdá, quando uma bomba explodiu, cerca das 10:00 locais (07:00 de Lisboa) no mercado de Chorja, o mais importante da capital, muito frequentado nessa altura do dia.
Em seguida, um duplo atentado atingiu Karrada, bairro de comércio do centro de Bagdá, cerca das 10:40, matando três pessoas, entre as quais um polícia, e fazendo 14 feridos, numa fila de espera de uma estação de serviço.
Em outros ataques na capital, em particular nos bairros de Dura (sul) e Amariyah (oeste), dez pessoas foram mortas, entre as quais um oficial do exército iraquiano, e morreram também dois dos atacantes, disseram fontes hospitalares.
Estes diferentes ataques ocorrem apesar da operação "Em frente, juntos", no âmbito da qual 30.000 homens, norte-americanos e iraquianos, foram estacionados para garantir a segurança dos bairros mais perigosos de Bagdá.
"Nos bairros de Dura, Amariyah e Gazaliyah, a vida retoma pouco a pouco o seu curso normal, enquanto as operações de busca dão lugar à limpeza dos destroços. Os estabelecimentos reabrem, os habitantes passeiam-se livremente pelas ruas", referiu o general Casey.
A violência prosseguiu também no resto do país, em particular na região de Baaquba, capital da província de Diyala, 60 quilómetros a norte de Bagdá e uma das mais perigosas do Iraque, onde 20 pessoas, das quais 15 civis, foram mortas numa série de ataques e atentados.
Em Hilla, uma mota armadilhada estacionada nas imediações de um centro de recrutamento do exército explodiu cerca das 08:00 (01:00 de Brasília), fazendo pelo menos 12 mortos e 38 feridos entre os voluntários que pretendiam inscrever-se no exército iraquiano nesta cidade, localizada cerca de 120 quilómetros a sul de Bagdá.
Duas pessoas foram mortas e nove ficaram feridas, três das quais polícias, quando uma manifestação degenerou em violência hoje de manhã, em Samawa, 250 quilómetros a sul da capital, segundo uma fonte médica.
Um oficial do exército morreu e dois soldados ficaram feridos na explosão de uma bomba, à passagem do seu veículo, entre Bagdad e Kut (sueste).
Em Balad, 70 quilómetros a norte de Bagdá, homens armados abateram uma mulher na sua residência, dois dias após a morte do seu marido nas mesmas condições, e em Baiji, 200 quilómetros a norte da capital, os trabalhadores de uma padaria foram visados por um tiroteio, que fez um morto.
Além disso, os corpos de cinco pessoas abatidas a tiro, com as mãos amarradas e exibindo sinais de tortura, foram encontrados no rio Tigre, perto de Suwaira, 60 quilómetros a sul de Bagdad.
Um outro corpo mostrando impactos de bala foi encontrado perto de Bagdad.
Por fim, o ministro da Defesa iraquiano, Abdel Kader Mohammed Jassim, denunciou hoje o acordo concluído entre as autoridades locais de Diwaniyah e milícias xiitas do exército do Mahdi, após confrontos que fizeram 81 mortos no domingo e segunda-feira, nesta cidade 180 quilómetros a sul de Bagdá. |