Campanha eleitoral sobe de tom com escândalos lembrados na TV
Agência Lusa
Quarta-feira, 30/08/2006 - 15:08
Brasília - A 33 dias das eleições, o tom da campanha eleitoral no Brasil começa a aumentar, com o programa do principal adversário de Lula da Silva a lembrar na TV os escândalos de corrupção que atingiram o atual governo.
Um apresentador do programa de Geraldo Alckmin mencionou nesta terça-feira à noite uma série de escândalos, entre eles o "mensalão", esquema de compra de votos na Câmara dos Deputados através do "caixa 2" do Partido dos Trabalhadores (PT), que gerou uma das mais graves crises políticas no Brasil.
O programa do social-democrata destacou que a Procuradoria-Geral da República, em representação do Ministério Público Federal, apresentou denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) contra 40 pessoas no "mensalão", em Abril do 2005.
No seu relatório, o procurador-geral Antonio Fernando Souza afirmou que o esquema era operado por uma "organização criminosa" comandada pelo PT e que o "chefe do organograma delituoso" era o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.
Foram lembrados também o "caso Waldomiro Diniz", que rebentou em 2004, com a exibição de um vídeo em que o assessor do ex-ministro Dirceu era corrompido por empresários do jogo, e o escândalo dos "dólares na cueca".
Este último ocorreu em Julho do ano passado, quando José Adalberto Vieira da Silva, secretário do PT no Estado do Ceará e assessor do irmão do ex-presidente da organização partidária, José Genoíno, foi preso com 200 mil reais (73 mil euros) dentro de uma mala e 100 mil dólares (78 mil euros) escondidos na roupa.
O programa da coligação "Por um Brasil Decente", formada pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e pelo Partido da Frente Liberal (PFL), abordou igualmente o mais recente escândalo no Parlamento brasileiro - a "máfia dos sanguessugas".
Uma comissão do Congresso que investigou as denúncias apontou 69 deputados e três senadores envolvidos no esquema de fraudes em compras de ambulâncias, além de haver outros parlamentares sob suspeita.
O apresentador do programa de Alckmin lembrou ainda que vários ministros do atual Presidente foram denunciados (o antigo das Finanças, Antonio Palocci e José Dirceu, para citar dois fortes) e que altos dirigentes do PT, como o ex-tesoureiro Delúbio Soares, são acusados por crimes.
Além da participação no esquema do mensalão, Delúbio Soares foi indiciado na semana passada pela Polícia Federal, ao lado de outro ex-ministro de Lula, o da Saúde, Humberto Costa, por suposta participação em fraudes na compra de produtos derivados do sangue.
"Um presidente que não controla os seus ministros e que alega que não viu nada, não sabe de nada, faz mal para o Brasil e para os brasileiros. Pense nisso e mude de Presidente", enfatizou o locutor, após dizer que os empresários deixam de investir num país que tem muita corrupção.
A mudança de estratégia da campanha de Geraldo Alckmin, que até então vinha focando a biografia do candidato, foi elogiada pelos aliados do PFL, que defendiam desde o início uma campanha mais agressiva, a reavivar na memória dos eleitores os escândalos no governo Lula da Silva.
Esta alteração fez-se necessária diante dos resultados das diversas pesquisas, todas a apontar uma vitória de Lula da Silva já na primeiro turno do pleito.
Por sua vez, o atual Presidente deverá continuar a enfatizar os feitos de seu governo nos últimos quatro anos, com ênfase na estabilidade económica e nas conquistas sociais, usando todo o seu carisma para não perder os seus eleitores.
A campanha começa a aquecer com Alckmin a procurar levar a eleição para um segundo turno, mas todos os analistas concordam que uma reviravolta na corrida presidencial é muito pouco provável.