Presidente Bush reza e recorda vítimas do furacão Katrina
Agência Lusa
Terça-feira, 29/08/2006 - 20:42
Nova Orleans, Luisiana - O presidente norte-americano rezou hoje em Nova Orleans (Luisiana, sul) pelas centenas de vítimas do furacão Katrina que devastou há um ano uma das cidades mais vibrantes dos Estados Unidos e marcou para sempre a sua presidência.
George W. Bush e a mulher, Laura, ajoelharam-se na catedral de Saint-Louis às 09:38 locais, no preciso momento, onde um ano antes, os diques cediam sob as águas que iam submergir 80 por cento da capital internacional do jazz.
Os sinos tocaram nessa altura. Coroas de flores foram colocadas junto dos diques. Uma procissão percorreu as ruas sob os acordes do jazz.
Bush fez depois um apelo apaixonado aos antigos residentes para regressarem à cidade.
"Sei que amam Nova Orleans, e que Nova Orleans precisa de vocês", disse o presidente norte-americano. Precisa que as pessoas regressem a casa, precisa que estes santos voltem a desfilar, precisa disso".
Ao acabar a visita de dois dias às comunidades dos Estados da Luisiana e Mississipi que foram devastados pelo furacão a 29 de Agosto de 2005, Bush também reconheceu que a resposta da sua administração ao desastre foi inaceitável.
"Estamos a tratar do que correu mal", disse aos residentes num liceu, num discurso em que falou dos esforços heróicos dos socorristas e da morte e desespero que ficaram à vista quando as águas recuaram.
Neste dia nacional da recordação instaurado pelo próprio Bush, toda a cidade participou na homenagem, partilhada entre a dor da perda e a cólera contra a lentidão da reconstrução.
Um ano depois do desastre que fez mais de 1.500 mortos em toda a costa do Golfo do México, mais de metade da população de Nova Orleães ainda não regressou a casa.
Dezenas de milhares de pessoas continuam a viver em caravanas em acampamentos improvisados. Apesar dos trabalhos de limpeza, os vestígios de desastres estão por todo o lado. Metade da cidade continua sem electricidade.
Bush passou dois dias na região para garantir que o governo está ao lado da população "o tempo que for preciso para terminar o trabalho". Embora reconheça que "uma parte do trabalho mais duro está por fazer, disse segunda-feira no Mississipi, outro Estado duramente atingido, que via progressos por todo o lado.
A sua presidência ficará para sempre associada a uma das catástrofes naturais mais devastadoras da história dos Estados Unidos, à falência do Estado federal e das autoridades locais e à imagem de um presidente que esperou quatro dias para se deslocar ao local.
O presidente da Câmara de Nova Orleans, que atacou violentamente a administração em 2005 e depois elogiou o envolvimento de Bush, reconheceu em frente da autarquia que "muitas pessoas de Nova Orleães sofrem hoje. Sofrem e tentem refazer as suas vidas".