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Polêmica
Energia nuclear é um direito iraniano, diz Ahmadinejad
  • Agência ANSA
  • Terça-feira, 29/08/2006 - 15:53

    Teerã - O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, disse hoje que o uso pacífico de energia nuclear é um direito de Teerã e acusou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de utilizar o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) como instrumento para impor a sua vontade.

    Em uma coletiva à imprensa com jornalistas iranianos e internacionais, Ahmadinejad convidou o seu colega norte-americano, George W. Bush, para um debate público sem censuras, mas negou a abertura de negociações com Washington.

    "Proponho a Bush um debate pela TV sobre questões internacionais e sobre como resolvê-las, mas com uma condição: que não haja nenhuma censura, em especial para o povo norte-americano", disse o mandatário.

    O presidente iraniano fez estas declarações a dois dias do vencimento do prazo imposto pelo Conselho de Segurança da ONU para a suspensão das atividades de enriquecimento de urânio.

    "A energia nuclear pacífica é um direito do povo iraniano, que assim escolheu e ninguém pode impedi-lo", acrescentou o presidente.

    "Se alguém decidir voltar a adotar os métodos do passado, a nação iraniana tomará as medidas necessárias", advertiu Ahmadinejad, aludindo à possível aplicação de sanções.

    O Alto representante para Política Exterior e a Segurança da União Européia, Javier Solana, afirmou ser possível manter negociações antes do vencimento do prazo imposto pelo Conselho.

    Solana disse que são necessários novos contatos para avaliar a resposta de Teerã ao plano de incentivos apresentado por seis potências mundiais em 6 de junho, que exige a suspensão dos planos de enriquecimento de urânio.

    Ahmadinejad também afirmou que o Irã não aceita ameaças e acusou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de tentarem impor a sua vontade utilizando o Conselho de Segurança como instrumento.
    "O nosso povo não dá atenção a ameaças. Dois países (EUA e Grã-Bretanha) querem impor a sua vontade usando o Conselho para tanto", disse.

    "O Irã quer resolver o litígio pelos seus programas nucleares mediante negociações mas com base nos direitos legítimos da nação iraniana", acrescentou.

    O governo do Irã advertiu na segunda-feira que os Estados Unidos incorrerão em um "insulto aberto" ao Conselho de Segurança da ONU se impuserem sanções à revelia desse organismo, ao qual pediu que atue com independência.

    O Los Angeles Times divulgou no sábado que o embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, disse que Washington avaliava a imposição de restrições comerciais e financeiras ao Irã independente da decisão do Conselho.

    O Conselho deu um prazo ao Irã, em uma resolução aprovada por 14 votos a favor e um único contra (do Qatar), para que cesse suas atividades de enriquecimento de urânio até 31 de agosto. Nesse dia o Conselho debaterá um relatório a ser apresentado pela Agência Internacional para a Energia Atômica (Aiea) e pode decidir sanções econômicas no caso de descumprimento.

    Rússia e China advertiram que vetarão uma iniciativa de sanções, por considerá-la prematura, apesar da pressão de Washington, que já solicitou medidas quando estavam em curso as negociações entre Irã, Grã-Bretanha, França e Alemanha, suspensas em agosto de 2005.

    Em 22 de agosto o Irã formulou a sua resposta ao plano de incentivos apresentado pelos cinco países com direito a veto do Conselho (Estados Unidos, China, França, Grã-Bretanha e Rússia) além da Alemanha.

    O Irã sugeriu nesse mesmo dia novas negociações, mas ratificou que prosseguirá com seus planos por considerá-los estratégicos e parte de seu direito soberano, com o objetivo de produzir combustível para suas centrais elétricas.

    Estados Unidos e países europeus atribuem aos programas citados, mesmo sem provas concretas, objetivos militares para a construção de armas atômicas. O governo de Teerã negou reiteradas vezes tais acusações e advertiu que Washington pede sanções para exercer o controle sobre o desenvolvimento tecnológico e econômico da região e não porque está preocupado com a proliferação de armas de destruição em massa.

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