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Oriente Médio
Annan pede libertação de soldados e fim do bloqueio ao Líbano
  • Agência Lusa
  • Segunda-feira, 28/08/2006 - 15:19

    Beirute - Kofi Annan criticou hoje o Hezbollah e Israel por tentarem "escolher partes" a implementar da resolução da ONU para um cessar-fogo e exigiu ao Hezbollah que liberte os soldados israelenses e a Israel que levante o bloqueio ao Líbano.

    O secretário-geral da ONU, que iniciou hoje em Beirute uma digressão de 11 dias pelo Oriente Médio, sublinhou que resolução 1701 do Conselho de Segurança "é um menu fechado e não um 'buffet', ou um 'menu à la carte', do qual se pode escolher o que se quer".

    "A resolução 1701 tem de ser implementada na sua totalidade e espero que ambas as partes dêem atenção a isso e atuem nesse espírito", disse Kofi Annan, que falava à imprensa em Beirute após um encontro com o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora.

    "Sem a total aplicação da resolução 1701, temo que haja um risco acrescido de novas hostilidades", acrescentou.

    "Há muito a fazer. Estamos a iniciar uma fase de reconstrução e há uma hipótese de um cessar-fogo de longo prazo. A comunidade internacional vai acompanhar atentamente a aplicação da resolução na sua totalidade para conseguir uma paz duradoura na região", disse.

    Annan apelou em seguida "à libertação dos soldados raptados" pela milícia xiita a 12 de Julho, incidente que deu origem à ofensiva militar israelita no Líbano, e sugeriu ao Hezbollah que os transfira para o governo libanês "ou para uma terceira parte", sob os auspícios da Cruz Vermelha Internacional.

    "Nós, nas Nações Unidas, estamos preparados para ter um papel nessa questão, se isso nos for pedido", disse.

    O secretário-geral da ONU apelou, por outro lado, a Israel para que levante o bloqueio aéreo e naval imposto ao Líbano: "Estou a trabalhar com eles [israelitas] e com vários parceiros internacionais para o conseguir", disse.

    Annan repetiu ainda o apelo da ONU para o desarmamento do Hezbollah, afirmando que "no Líbano deve haver, como todos concordaram, uma lei, uma autoridade e um exército".

    Sublinhou, neste contexto, que o desarmamento deve ocorrer no âmbito de um acordo nacional.

    Em Beirute, Kofi Annan reuniu-se também com um dos ministros do Hezbollah que integram o atual governo - o ministro da Energia, Mohammad Fneich -, encontro em que também participou o enviado de Annan ao Líbano, Gier Pedersen.

    Este foi o primeiro contato directo entre Annan e um responsável do Hezbollah desde o início do conflito, a 12 de Julho.

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