Mirantes revelam vistas e ritmos da capital portuguesa
Agência Lusa
Domingo, 27/08/2006 - 17:17
As dezenas de mirantes de Lisboa oferecem as peças do quebra-cabeça de vistas que é a cidade e proporcionam experiências que fazem a personalidade da capital: agitada, festiva, descansada e contemplativa, dependendo de onde se está.
Um dos mirantes mais peculiares da capital portuguesa é o de Santa Catarina, junto ao bairro da Bica, que é animado tanto de dia como à noite. Ali, em vez de café, suco ou máquina fotográfica, o apetrecho mais comum é uma "litrada" de cerveja ou uma garrafa de vinho.
Este mirante é freqüentado principalmente por jovens, com penteados rasta e moicanos e roupas de inspiração punk e hippie. A paisagem é marcada pelo rio Tejo, que à noite se enche dos reflexos da ponte e da margem sul.
Djembés - espécie de tambor africano - e violões marcam o ritmo, vigiado pela estátua do gigante Adamastor, em um ponto de encontro dos notívagos da cidade.
A máxima popular do tempo das invasões francesas do século 19, "ver navios do alto de Santa Catarina", continua valendo hoje em dia: a vista do porto e do rio mostra o vaivém dos navios e barcos que cruzam o Tejo.
Tranqüilidade e história -- Da agitação de Santa Catarina à calmaria do mirante do Moinho do Penedo, no bairro de Monsanto, onde se vê, mas não se ouve Lisboa, abafada pelo barulho de cigarras e pássaros na serra.
Perto dali, por uma trilha, encontra-se o mirante Keil do Amaral, que herdou o nome do responsável pelos parques de Monsanto - Parque Eduardo 7º e Campo Grande. Com alguns traços arquitetônicos do Estado Novo (1933-1974), está quase escondido pelas árvores para quem o vê de baixo, mas traz sombra à frescura de um pequeno lago, além de uma vista peculiar da Outra Banda - a margem sul do Tejo.
Já no mirante das Portas do Sol, perto da Sé, as tardes de verão são sempre muito concorridas, com muitos turistas que descem pelo bonde elétrico 28 e os que chegam suados depois de subirem o bairro de Alfama.
É o caso dos florentinos Enzo e Laura, para quem "a vista é um prêmio" depois das ruas apertadas de Alfama, e ainda por cima é gratuita. Atentos às mesas, por enquanto todas ocupadas, à espera de uma vaga, dividem as atenções entre a vista do rio e a da parte oriental da cidade.
Mas, vencido este "degrau", há mais para ver para quem ainda tiver fôlego para chegar à Graça. No mirante do Largo da Graça, inundado pelo sol do fim de tarde, as mesas também ficam cheias, principalmente de turistas estrangeiros. Para alguns, é o melhor pôr-do-sol lisboeta - o que é discutível, pois olhar à esquerda e ver, mais acima, o mirante da Senhora do Monte (foto).
Este também é cheio de turistas, que, junto às grades, tiram fotografias. O panorama é tão abrangente que não espanta que Dom Afonso Henriques (1109-1185) tenha acampado ali quando cercou a cidade ocupada pelos mouros.