Israel prossegue com bloqueio aéreo e terrestre ao Líbano
Agência ANSA
Domingo, 27/08/2006 - 23:13
Beirute - O governo do Líbano advertiu hoje que a continuidade do bloqueio por ar e terra mantido por Israel é uma violação aberta à resolução das Nações Unidas (ONU) ao cessar-fogo, enquanto que o líder do Hezbollah afirmou que não teriam capturado os soldados israelenses se soubessem que esta ação levaria à guerra.
O ministro de Informações libanês, Ghazi Aridi, disse hoje à TV estatal que o bloqueio "desafia a comunidade internacional".
A persistência do bloqueio israelense ameaça a frágil trégua na região após o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, em 14 de agosto, com base na resolução 1.701 do Conselho de Segurança da ONU, que prevê a mobilização de 15 mil soldados da força de interposição da ONU no sul do Líbano para apoiar outros 15 mil do Exército libanês.
A resolução pede também a esse país o desarmamento do Hezbollah e a Israel a retirada de suas tropas da região a partir da disposição das forças libanesas e da ONU, que já deu os primeiros passos.
Israel decidiu manter o bloqueio marítimo e aéreo das fronteiras libanesas até a chegada do Exército Nacional libanês e das tropas da ONU, disse hoje o ministro israelense da Defesa, Amir Peretz, segundo a rádio Jerusalém.
Sobre a permanência das tropas israelenses no Líbano, o líder do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse hoje que "não haverá um segundo round com Israel", ao mesmo tempo em que esclareceu que esse grupo "tem direito a resistir à ocupação".
"Eles ameaçam para que o Líbano se assuste e aceite as condições de Israel", disse Nasrallah em uma entrevista que será transmitida esta noite pela emissora libanesa New TV, em referência à última visita em Beirute do enviado da ONU ao Oriente Médio, Terje Roed-Larsen.
"Temos o direito à resistência e podemos exercê-lo em qualquer momento. Por isso não dou garantias a ninguém. Se até agora fomos pacientes não significa que continuaremos a sê-lo", alertou.
Na entrevista, Nasrallah revelou que o Hezbollah "não esperava" que a captura dos dois soldados israelenses em 12 de julho (que foi o estopim do conflito armado) "deflagrasse uma guerra destas proporções. Se tivesse imaginado não o teríamos feito".
O líder do movimento xiita acrescentou que "se equivoca quem afirma que o motivo desta guerra foi a captura dos dois soldados" e explicou que dispõe de dados "que provam que a decisão de desatar a guerra já tinha sido tomada por Israel e que o seqüestro dos soldados só foi um pretexto".
O vice-premier israelense, Shimon Peres, disse hoje em uma reunião do governo que o país precisa desenvolver novas armas para aumentar seu poder contra o terrorismo. Um dos possíveis caminhos seria recorrer ao desenvolvimento da nanotecnologia.
Nesta mesma reunião Peres advertiu sobre o perigo do Irã colocar a serviço das organizações terroristas os conhecimentos adquiridos no âmbito da tecnologia nuclear.
Por outro lado, a chancelaria italiana afirmou hoje que não está envolvida em negociações secretas com Israel e o Hezbollah para a troca de prisioneiros, desmentindo assim as declarações do líder desse movimento.
Na entrevista que será transmitida hoje à noite pela New TV, Hassan Nasrallah disse que "em breve começarão os contatos para as negociações da Itália com o Líbano e Israel" e que "as negociações são feitas pelo presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri".
Um primeiro grupo de 60 especialistas do Exército francês chegou esta manhã em Beirute para trabalhar na reconstrução de 15 pontes e viadutos na região de Dammur-Naame, 30 quilômetros ao sul da capital libanesa, destruídos pelos bombardeios israelenses durante a guerra, informou a agência libanesa NNA.
Já o primeiro-ministro italiano Romano Prodi, disse hoje que "o governo aprovará amanhã o decreto para o envio da missão ao Líbano, mas os preparativos já começaram".
Prodi acrescentou que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse-lhe ontem que "está em marcha o diálogo com países muçulmanos, para que participem da missão no Líbano", hipótese que Israel rejeita.
A Malásia e a Indonésia ofereceram colaborar com a Unifil mas Israel não aceita a participação nessa força de países com os quais não mantém relações diplomáticas e nem dos que considera simpatizantes do Hezbollah.