O projeto Balança Concha estréia com a presença de duas “figuraças”: o som universal do bardo de Irará, Tom Zé, e o humor trágico-cáustico do cantor e ator Zéu Britto. Eles se apresentam no próximo dia 3 de setembro, às 18 horas, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves.
Com o mote “Música Pra Ouvir, Livro Pra quem Precisa”, o Balança Concha tem ingressos a preços populares: R$ 10 (inteira) e R$ 5b(meia), além de 1 Livro (novo, usado, de qualquer tipo, didático ou para-didático) ou 1 Módulo novo ou usado de Pré-Vestibular ou Terceiro ano do ensino médio. O total arrecadado será doado a bibliotecas públicas da Bahia. O professor Jorge Portugal será o mestre de cerimônia da noite de abertura do projeto. Os livros e módulos já podem ser entregues no ato da compra de ingressos na bilheteria do TCA.
| | Tom Zé lança no Balança a Concha o CD “Estudando o Pagode” | O regional mais moderno Tom Zé lança em Salvador o CD “Estudando o Pagode - Opereta Segrega Mulher e Amor’”, de 2005. Segundo ele, “o lançamento conta com uma grande novidade: a baiana Luanda Céu e Mar, vocalista de minha banda, fará os papéis femininos da opereta; além de isso ser um privilégio para a Bahia, ela é filha de Aloísio Silva, cantor do cast da Rádio Sociedade da Bahia nos velhos tempos do rádio. Integram a minha banda estes músicos de muita qualidade: Lauro Léllis, baterista; Daniel Maia, baixista-vocalista; Sérgio Caetano, grande voz e guitarrista; Jarbas Mariz, outra voz grande, percussionista, toca viola de 12 cordas; Cristina Carneiro, tecladista e vocalista”.
Já Zéu Britto mostra, com a banda Tudo de Bom, “Salíva-me”, show contundente e recheado de humor, que já teve passagem com sucesso pelos palcos do Festival de Verão Salvador e Teatro Rival BR e Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro.
O Balança Concha, que trará até dezembro, em um domingo por mês, uma atração nacional e uma local, numa diversidade musical, é uma realização da Mil Produções, com patrocínio da Chesf, através do Fazcultura.
O Projeto - Além de valorizar a diversidade de ritmos, o Balança Concha oferece ao público a oportunidade de assistir a grandes artistas e promove a contribuição social coletiva, arrecadando os livros que serão doados para bibliotecas públicas da Bahia.
Sobre Tom Zé - Tom Zé ouvia a fala de seus conterrâneos em Irará e ouvia rádio: foi assim que encontrou a música. Depois é que veio o currículo formal na Universidade de Música da Bahia, recém-fundada por Hans-Joachim Koellreuter, compositor alemão pós-modernista. Estudou composição, contraponto, harmonia, piano e violoncelo, multiplicando seu interesse e seu conhecimento musical.
Com a orientação teórica de Koellreuter e do professor suíço Ernst Widmer, ele incorporou à sua música conceitos modernistas. Uniu elementos de música erudita e de vanguarda ao folclore e às canções cantadas pelo povo. Em seus arranjos e orquestrações, acrescentou liquidificadores, rádios, máquinas de escrever, enceradeiras, gravadores, teclados e garrafas. Juntou-os a instrumentos convencionais, a par de um complexo sistema de som construído por ele próprio.
Tropicalismo - Tom Zé desenvolvia uma carreira promissora na música erudita, quando, incentivado por amigos, mudou-se para São Paulo. Lá, um grupo de artistas compartilhando propósitos estéticos reuniu-se e detonou a Tropicália, movimento do qual ele foi um dos líderes.
As letras do artista, influenciadas pela poesia concreta, sintetizaram-se no essencial. Seus arranjos originais e a riqueza rítmica de suas composições o transformaram num dos mais irônicos e irreverentes intérpretes do Brasil.
Na década de 90 foi convidado pelo David Byrne, líder da banda Talking Heads, para ser o primeiro artista contratado pela gravadora Luaka Bop, que ele acabara de fundar. O selo nova-iorquino lançou os seguintes discos: The Best of Tom Zé – Brazilian Classics, vol. 4, compilação dos discos Estudando o Samba e Todos os Olhos. Depois a Luaka Bop lançou The Hips of Tradition (As Ancas da Tradição) --- Brazilian Classics, vol. 5, primeiro trabalho inédito, depois de um silêncio de 12 anos. “Com Defeito de Fabricação” foi lançado nos Estados Unidos e na Europa em 1998, com grande repercussão. The New York Times listou o disco entre os 10 melhores do ano. A revista Rolling Stone conferiu-lhe 4 estrelas.
A recepção da imprensa estrangeira é calorosa. A revista Rolling Stone chama Tom Zé de “Father of Invention”, numa alusão a Frank Zappa e a seu grupo musical “The Mothers of Invention”.
As canções de “Com Defeito de Fabricação” foram regravadas, com o título de Postmodern Platôs” (“Platões Pós-Modernos), por artistas jovens de prestígio dos Estados Unidos, como Tortoise, Sean Lennon, High Lamas.
“Jogos de Armar”, o primeiro disco integralmente brasileiro em dez anos, lançado em 2004 pela gravadora Trama, foi aclamado pelo maestro Júlio Medaglia, que o classificou de “uma enxurrada de idéias do mais criativo compositor brasileiro...”
Neste disco estão presentes os instronzementos, instrumentos musicais inventados pelo compositor: o enceroscópio, o buzinório, e o hertzé, este um sample inventado antes do sample. As sonoridades radicalmente urbanas se unem aos arquétipos brasileiros mais primitivos e fundamentais, em arranjos provocantes e que estabelecem total empatia com o ouvinte. É um testemunho de crença na sensibilidade do ouvinte. Fazendo dançar, desmancha, com humor e diversão, as fronteiras entre o popular e o erudito. Em 2005 veio “Estudando o Pagode”, que será lançado em Salvador no Projeto Balança a Concha.
Artista e público - No Abril Pro Rock, em Recife, Tom Zé protagonizou um fato emocionante: a platéia de 5 000 jovens aclamou-o ininterruptamente por 15 minutos, até que o artista voltasse ao palco.
Além da presença de fãs que acompanham o seu trabalho sistematicamente, suas apresentações se distinguem pela presença de jovens, no Brasil e no exterior: a juventude é uma presença constante, lotando tanto os teatros das capitais brasileiras como a Fabrik de Hamburgo, na Alemanha. A afinidade dos jovens com o artista que tem uma capacidade mítica de renovação é total. Ele sofre de juventude, como diz uma de suas canções. Zéu Britto e a Tudo de Bom em “Saliva-me”
| | Zéu apresenta músicas que falam dos males cada vez mais presentes na humanidade | “Saliva-me” é resultado de um projeto que começou com o show "Festa na Cama", com Zéu Britto ainda integrante do grupo Los Catedráticos. Apresentou depois um show novo a cada ano, experimentais e contundentes, como "Voz, Violão e Ousadia", "Merendando com os Amigos" e “Saliva-me”, esse sucesso em palcos como o do Festival de Verão Salvador, Teatro Rival BR e Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro.
O melhor do show, com a banda Tudo de Bom e produzido André Moraes ("Lisbela e o Prisioneiro" e "Meu Tio Matou um Cara”), está registrado no primeiro CD do artista. Com baladas bem humoradas e uma pegada rock and roll, o álbum traz “Soraya Queimada”, “O Brega de Leila” e “A Dama de Ouro”.
O show tem direção artística de Lúcio Mauro Filho, direção musical de André Moraes e com a Tudo de Bom, que é composta por Zéu Britto (voz), Luizinho Oliveira, no baixo; Marco Veloso, na guitarra, Léo Marques, na bateria, e Zé de Rocha, no teclado e acordeon.
Seguindo o pensamento de que temos que brincar com nosso próprio drama, Zéu apresenta músicas que falam dos males cada vez mais presentes na humanidade: traição, casamento equivocado, abandono do lar, O show coloca os fatos risíveis da vida, na berlinda do escracho, e faz da tragédia a maior semente para se chegar ao humor.
Para Zéu "Saliva-me” é um show alegre, um rock´n roll para ouvir alto. Um repertório que cria expectativas e que agrada a todas as idades. André Moraes, produtor musical, diz que "Zéu Britto é um artista inquieto. Escrachado, sarcástico e imprevisível são qualidades que podem definir bem esse artista. Mas para mim, as maiores qualidades de Zéu são a sua voz inconfundível e a sua capacidade de compor excelentes canções”. E o diretor Lucio Mauro arremata: " Tudo que sai da sua cabeça eu anoto, mesmo as coisas mais esdrúxulas. E depois quando ele acha uma idéia genial, e vem me agradecer, eu sou obrigado a dizer que a idéia é dele mesmo. Dirigir o Zéu é deixá-lo livre." |