Havana - A imprensa cubana fustigou hoje a proposta norte-americana de suspender o embargo se o governo interino de Raúl Castro avançar em uma "transição" rumo à democracia; assim como o papel de "delator" e "mulherengo" do ex-presidente polonês Alexander Kwasniewski, que convocou uma mesa redonda no país para debater o futuro.
"A proposta do mulherengo coincide com outra que chegou de Washington", escreveu o jornal Juventud Rebelde, que investiu contra a iniciativa de Kwasniewski e do secretário-adjunto de Estado para a América Latina, Thomas Shannon.
As iniciativas se enquadram na situação política estabelecida em Cuba desde 31 de julho, quando o presidente Fidel Castro delegou temporariamente o poder ao seu irmão Raúl, pela primeira vez em quase meio século de Revolução devido a uma delicada cirurgia intestinal.
Shannon disse na quarta-feira que "continua sobre a mesa uma possível suspensão do embargo, se o governo cubano realizar uma abertura política e uma transição rumo à democracia", chegando até a sugerir ao presidente venezuelano e aliado de Fidel, Hugo Chávez, para "desempenhar um papel útil neste processo".
"Isto se assemelharia muito a qualquer show humorístico de segunda categoria, não fosse que tanta 'generosidade' está amarrada pelo cordão umbilical com um certo capítulo secreto do Plano Bush, que tende à guerra suja", afirmou o jornal.
Em 10 de julho o presidente George W. Bush aprovou novas medidas da Comissão para uma "Cuba Livre" com um fundo de US$ 80 milhões em dois anos para a oposição de Fidel, além de um anexo secreto que segundo Havana fixa medidas ilegais para "destruir a Revolução".
Juventud Rebelde considerou que a iniciativa do ex-presidente polonês fomenta a subversão contra Cuba, denominando-a de "mudanças" ou "transição".
"Este senhor defende uma mesa redonda com figuras internacionais que viajariam em maio para Cuba", acrescentou o jornal, que lembrou que em 1989 Kwasniewski participou de reuniões entre o governo polonês e o sindicato Solidariedade, que acabaram "enterrando" o chamado socialismo europeu nesse país.
"Agora anda em busca de seguidores para uma idéia tão traiçoeira, sem considerar que nunca segundas partes foram boas", acrescentou o artigo, que também criticou a criação em Washington do cargo de diretor de Missão da CIA para Cuba e Venezuela, para o qual foi designado Jack Maher.
"É este o 'momento de esperança' nos pesadelos que nos querem impor Jack, Shannon e Kwasniewski? Se for assim, é melhor que arrumem suas próprias casas e deixem em paz a independência soberana alheia", concluiu a nota.