EUA investigam utilização israelita de bombas de fragmentação
Agência Lusa
Sexta-feira, 25/08/2006 - 23:01
Washington - O governo norte-americano anunciou hoje ter aberto uma investigação para determinar se as forças israelenses desrespeitaram acordos secretos assinados nos anos 70 e usaram bombas de fragmentação de fabricação norte-americana no sul do Líbano.
O Departamento de Estado confirmou a abertura da investigação, noticiada quinta-feira na Internet pelo jornal New York Times.
Às Nações Unidas (ONU) têm chegado queixas de vítimas deste tipo de bombas no sul do Líbano.
"Temos conhecimento das alegações e estamos a estudá-las", limitou-se a dizer Gonzo Gallegos, um porta-voz da diplomacia norte- americana.
"Uma vez determinada a utilização das bombas, mediante provas, veremos quais foram os alvos", acrescentou.
O Centro de Coordenação da Acção Anti-Minas da ONU (MACC) em Tiro (sul do Líbano) declarou que as bombas em causa, passadas duas semanas do fim das hostilidades entre o Hezbollah (xiitas radicais) e as forças israelitas, continuam a fazer vítimas civis.
"Todos os dias há novas vítimas", afirmou Dalya Farran, responsável pela comunicação naquele centro, segundo a qual "a situação é de emergência".
O exército israelita distribuiu hoje um comunicado a garantir que as suas armas e munições respeitam a legislação internacional.
As bombas de fragmentação espalham engenhos explosivos ao bater no solo, que não deflagram imediatamente e, por este motivo, têm consequências dramáticas para os civis.
As autoridades libanesas adiantaram que 11 pessoas morreram e 43 ficaram feridas, entre as quais numerosas crianças, desde o fim dos combates, no passado dia 14.
A MACC revelou na quinta-feira que 267 locais foram atingidos por bombas de fragmentação no sul do Líbano.
Um antigo soldado neozelandês e atualmente conselheiro da ONU comunicou que o seu pessoal já desativou 1.800 engenhos espalhados pelas bombas de fragmentação, acrescentando que um grande número ainda não pôde ser recolhido.