Brasília - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, voltou a defender a criação de uma agência reguladora do setor audiovisual brasileiro.
Em 2004, o governo apresentou a proposta de transformar a Agência Nacional de Cinema (Ancine) em Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav).
A nova agência passaria a cuidar de toda a área audiovisual. Mas o debate com representantes do setor não chegou a um consenso, e o projeto não seguiu adiante.
“De um ano e meio pra cá, quando a proposta da Ancinav foi rejeitada, a complexificação do meio audiovisual brasileiro vem se dando de forma extraordinária a cada dia”, disse Gil, em entrevista semana passada à Agência Brasil. “Os agentes todos, televisão, cinema, rádio, música, companhia de discos, estão carecendo cada vez mais de um sistema regulatório que normatize, que defina espaços”.
Na avaliação dele, o setor está sofrendo as conseqüências por ter discordado da proposta de criação da agência, que seria vinculada ao Ministério da Cultura.
“Eles estão pagando o preço: o preço da improdutividade, do conflito, da tentativa e, em muitos casos, da consecução de processos hegemônicos por parte de grupos sobre grupos, de setores sobre setores, de capital estrangeiro sobre capital brasileiro”.
Ao ser questionado se o projeto da Ancinav está descartado pelo governo, Gil afirmou que a resposta cabe ao próprio setor audiovisual. “Isso quem vai dizer são eles. Precisa de uma agência reguladora, senão vira guerra. Guerra sem arbítrio, sem arbitragem”. |