Salvador - Em uma das salas do Instituto Anísio Teixeira, a língua portuguesa é substituída pela francesa. Ali 30 professores da rede estadual de ensino se reúnem para aprender e trabalhar a formação lingüística e metodológica do ensino do francês. Com uma carga horária de 80h, o curso de reciclagem se estende até o final do ano, com encontros mensais. Atualmente, a rede estadual possui 126 professores de francês e o idioma é ministrado em 21 escolas. Embora a língua francesa não esteja presente em todas as unidades de ensino, onde ela se faz presente os resultados têm sido bastante satisfatórios. Nos últimos seis anos, 15 alunos foram eleitos em concursos realizados pela embaixada do país no Brasil. Como prêmio, uma viagem de dez dias para a França. Em 2004, por exemplo, a Bahia foi o único estado que teve alunos da rede pública premiados no concurso. Além disso, uma parceria com o Service de Coopération et d´Action Culturelle, braço da embaixada da França no Brasil, possibilita a realização de intercâmbio cultural freqüente entre os dois países.
Durante a capacitação, os professores têm a oportunidade de conviver com diferentes realidades e discutir o que têm feito em sala de aula, além das inovações que têm dado certo, entre outras questões. Em cidades com Itaparica, por exemplo, onde o turismo é bem explorado, a língua atrai muitos estudantes. "O interesse é tão grande que em determinada ocasião o idioma foi retirado da grade e os alunos fizeram um abaixo-assinado para que voltasse", contou o professor da Escola Benedito Oliveira Barros, Railton Santos, que participa da capacitação há cinco anos.
Atualmente, um dos colégios referência no ensino da língua é o Raphael Serravale, na Pituba. A unidade foi uma das escolas escolhidas para a realização de um projeto de língua francesa. O desafio lançado era fazer com que, em um período de três anos, um grupo de 25 estudantes conseguisse se comunicar em francês. "Nós estamos no século XXI, já foi o tempo em que se tinha apenas o inglês como língua estrangeira. Se a escola pública pode oferecer isso, por que não oferecer?", considerou o professor Lázaro de Melo. |