Salvador - "Oh minha gente, é a loura do Tchan!". Com essa exclamação, Ambrósio Vieira, 64 anos, rompeu o salão do Abrigo D. Pedro II de braços dados com Silmara Miranda, a dançarina do grupo "É o Tchan", na tarde de hoje (dia 17). "Hoje é um dia de felicidade. Pelo menos, antes de morrer conheci essa maravilha. Agora só falta Ivete Sangalo", comemorava o idoso, que há três anos vive no único abrigo público de Salvador. De olhos vidrados, os idosos que recepcionaram a loura se confessaram felizes com a doação feita por ela.
Silmara comentou que há muito tempo tinha vontade de conhecer o abrigo. Quando resolveu aplicar o dinheiro levantado com a venda de uma revista de lançamento nacional, da qual é capa na edição do mês de agosto, para uma instituição assistencial, encontrou a oportunidade que precisava. “Tudo aqui é muito bonito e agradável e as pessoas são muito carinhosas e receptivas”, elogiou.
Tanto Silmara quanto os idosos ficaram tímidos nos primeiros momentos do encontro, mas bastou uma música no aparelho de som para a loura cair na dança, acompanhada pelas palmas dos presentes.
Daí foram muitas poses para fotos, conversas ao pé do ouvido e confidências de muitos que torceram por ela durante a competição para escolha da loura que substituiria Sheila Melo no grupo baiano. “Torci por ela o tempo todo”, disse o animado Ambrósio.
Depois de conversar com os moradores e funcionários do D. Pedro II, Silmara se comprometeu a falar, sempre que tiver oportunidade, nos meios de comunicação, da necessidade urgente de os empresários contribuírem para a recuperação do acervo histórico e social do abrigo. “Um patrimônio como esse precisa receber atenção de todas as esferas da sociedade. Não podemos deixar que isso acabe”, falou a dançarina, que abandonou a faculdade de Educação Física logo que foi eleita loura do É o Tchan! e atualmente estuda jornalismo na Faculdade Social da Bahia. O Abrigo D. Pedro II tem 119 anos e está ligado à Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social (Sedes). Ali moram 115 idosos, com mais de 60 anos, que viviam em situação de risco social ou pessoal. Tombado pelo Iphan, em 1980, o local tem diversos pavilhões e alas interditadas pela Defesa Civil, que precisam de obras de reforma e recuperação das instalações físicas.
Construído na primeira metade do século XIX, o complexo arquitetônico guarda valioso acervo de peças de arte em escultura, movelaria, pinturas em óleo e louças. “A corrosão do tempo e a pesca com bombas na Baía de Todos os Santos colocaram em risco muito do que temos aqui”, lamentou a gerente Ana Valéria Souza. Segundo ela, se o local estivesse funcionando em sua plenitude poderia abrigar cerca de 250 idosos e ainda se transformar em área para visitação e eventos. |