São Paulo - A arquiteta portuguesa Ana Catarina Ferreira da Silva, de 36 anos, viajou muito pelo Brasil até descobrir o que considera um "verdadeiro paraíso", em uma região isolada no Nordeste do país.
O paraíso chama-se Corumbau, que significa "lugar distante" na língua dos índios da tribo Pataxó, a 200 quilômetros da cidade de Porto Seguro, litoral sul da Bahia.
A área de 23 hectares fica próxima de dois parques nacionais, o do Descobrimento e o do Monte Pascoal, a primeira visão que o descobridor Pedro Álvares Cabral teve do Brasil. "Sempre fui apaixonada pelo Brasil, com uma atração mais forte e muito especial pelo Estado da Bahia", disse Ana Catarina à Agência Lusa.
Depois da descoberta, há dois anos, a arquiteta decidiu deixar o emprego em um escritório de Lisboa para se dedicar à construção de seu próprio hotel.
O hotel está a apenas quatro quilômetros da Barra do Cahy, local onde os portugueses pisaram em terras de Vera Cruz pela primeira vez. "O Corumbau foi escolhido por ser, de todos os lugares por onde andei, o mais especial, o mais longe de ser descoberto e que será mais difícil de ser destruído", afirmou.
O hotel
Foi então que surgiu este ano o Tauana Hotel, com apenas nove cabanas, cada uma com 130 metros quadrados, bem em frente ao mar e com um coqueiral de mais de 80 anos. Na fazenda há também um riacho que deságua no mar.
O hotel mantém a atmosfera local porque foi construído com materiais e técnicas utilizadas na região, como paredes de pau-a-pique e adobe (tijolo de argila) e telhados de piaçava e de taubilha, uma telha de madeira.
"A proposta foi construir um hotel completamente integrado à natureza, que não se destaca da paisagem, mas com todo o conforto", disse Ana Catarina.
As cabanas misturam ambiente rústico e conforto - por exemplo, com lençóis de algodão egípcio, camas king size e colchas portuguesas, mas sem aparelho de televisão para manter os hóspedes em um clima de isolamento.
Para chegar à fazenda Riacho Grande, nome da propriedade, o hóspede pode aterrissar de avião em uma pequena pista perto do hotel, em um vôo de poucos minutos a partir de Porto Seguro. Outras opções são o barco e o automóvel, em uma viagem de mais de três horas também a partir de Porto Seguro.
O projeto prevê que o hotel seja auto-sustentável: uma horta orgânica e mais de 140 árvores de frutas foram especialmente plantadas para abastecer os hóspedes.
Em uma área de 15 hectares, já foram plantados mais de 30 mil pés de árvores nativas, como forma de reflorestamento do local. "A preservação da natureza é uma de minhas maiores preocupações. Construí uma estação de tratamento de esgoto para evitar qualquer contaminação da praia", contou a arquiteta.
Desde a abertura, em janeiro deste ano, o estabelecimento (www.tauana.com) tem recebido turistas brasileiros, portugueses e norte-americanos. |