Salvador - Por cinco dias, a cidade de Salvador sediará o maior evento latino-americano do setor de incubação de empresas: o XVI Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas. Com expectativa de mais de 800 participantes, o evento contará com a presença dos principais dirigentes nacionais e internacionais da área de empreendedorismo e inovação tecnologica.
O tema do Seminário este ano será “Redes Institucionais Promovendo o Empreendedorismo Inovador”. O assunto traz à tona a discussão sobre os mecanismos e iniciativas para o desenvolvimento de sistemas locais de inovação, no Brasil e no mundo, como incubadoras de empresas, parques tecnológicos e arranjos produtivos locais (APLs).
A formação de redes institucionais está se tornando uma realidade em todo o país, principalmente no setor de incubação de empresas, que hoje conta com 18 redes de representação, articulação e apoio. Uma história que começou nos anos 90, por meio da formação das redes de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, e culminou na criação da mais recente rede de incubadoras, em maio do ano passado, no estado de Goiás.
Para o secretário de Ciência e Tecnologia de Goiás, Clecildo Barreto, a participação dos órgãos públicos promotores de políticas de ciência, tecnologia e inovação é decisiva para consolidar as redes. “Por outro lado, cabe ao setor empresarial a busca de parcerias financeiras e de idéias que venham modernizar a sua área de atuação no mercado”, completa o secretário.
No Brasil, existem exemplos concretos onde a formação de redes trouxe inúmeros benefí¬cios para a região. Em Minas Gerais, por exemplo, o Programa de Inovação Tecnológica vem incentivando o desenvolvimento do sistema local por meio de três frentes: implantação e modernização de incubadoras, implantação de parques tecnológicos e criação de núcleos de inovação. O Programa envolveu a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado, o Sebrae-MG, a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais, a Rede Mineira de Inovação e o Banco de Desenvolvimento do Estado.
No âmbito municipal, também existem redes institucionais que estão mudando a realidade local. Há o caso de Campo Grande (MS). Lá, após a realização de um amplo diagnóstico, que envolveu entidades representantes de diversos setores, foi possí¬vel detectar competências, necessidades e oportunidades locais que serviram de base para investimentos do município. O investimento de R$ 4,5 milhões foi destinado à estruturação de quatro incubadoras. Atividades
Durante o seminário, serão realizadas cinco sessões plenárias sobre redes locais, nacionais e internacionais. Além das plenárias, nos dois primeiros dias do seminário, será realizado o Workshop Anprotec, com o objetivo de capacitar gestores de incubadoras e empreendedores inovadores.
Durante os dois dias, os participantes encontrarão algumas repostas para a questão “onde está o capital?” e vão debater sobre a “educação empreendedora no país”. Esse tema é amplamente difundido pelas principais agências apoiadoras dos empreendimentos inovadores - como é o caso do Sebrae que mantém um portal exclusivo para a educação do setor, onde empreendedores, gestores e estudantes podem participar de cursos on-line gratuitos, como “Aprender a Empreender” e “Como Vender Mais e Melhor”.
Os minicursos també estão na programação do XVI Seminário Nacional. Dos nove oferecidos, um já estão com as vagas esgotadas. “Quem está interessado em participar de algum minicurso deve ficar atento para as inscrições, porque as turmas têm vagas limitadas”, lembra Clélia Bueno, coordenadora de projetos da Anprotec.
Outra atividade do Seminário é o Concurso de Artigos, que pretende incentivar a produção de trabalhos técnico-cientí¬ficos nas áreas de empreendedorismo, tecnologia e inovação e que estejam relacionados a incubadoras e parques tecnológicos. “Promover o Concurso de Artigos é uma forma de o movimento sair do ‘achismo’. A partir do momento que se passa para o papel, o método cientí¬fico - objetivos, metodologia, avaliação dos resultados – é priorizado”, afirma Josealdo Tonholo, diretor da Anprotec e responsável pelo evento.
Nos últimos anos, a participação no Concurso de Artigos havia diminuído. Para Tonholo, essa queda ocorreu porque o movimento cresceu e, ao longo dos anos, aumentou também a participação de profissionais que não eram do meio acadêmico. “Nesse contexto, perdemos um pouco a capacidade de armazenar os conhecimentos de forma acadêmica. A boa notícia é que recuperamos essa capacidade e tivemos mais que o dobro de artigos que o ano passado”, ressalta o diretor.
Dos cerca de 200 artigos recebidos, 109 foram selecionados pelo comitê científico e serão apresentados de forma oral, nas sessões técnicas paralelas, e em forma de pôsteres. Os artigos vencedores serão anunciados no encerramento do Seminário, nas categorias: Melhor Artigo Completo, Melhor Pôster e Melhor Boa Prática. As Redes Estaduais de Incubadora e Parques Tecnológicos cujos artigos forem premiados e a Rede Estadual que tiver maior número de artigos premiados receberão menção honrosa. |