União Européia apela a resolução rápida do conflito libanês
Agência Lusa
Sexta-feira, 11/08/2006 - 14:35
Helsínque - A União Européia exortou hoje o Conselho de Segurança das Nações Unidas, Israel e o Líbano a encontrarem uma solução rápida para o conflito no Oriente Médio, que se arrasta há um mês.
O primeiro-ministro finlandês, Matti Vanhanen, cujo país assegura a presidência rotativa da UE, pediu uma "resolução rápida" para pôr fim ao desastre humanitário e "servir de fundamento para uma solução duradoura".
"Os membros do Conselho de Segurança e os Governos libanês e israelita têm agora de assumir o esforço necessário para chegar rapidamente a um acordo", escreveu Vanhanen numa carta ao primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora.
Em Nova York, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, considerou hoje que as discussões em curso sobre uma resolução das Nações Unidas visando pôr fim ao conflito libanês permitem esperar uma votação do Conselho de Segurança ainda hoje.
"Aproximamo-nos" de um acordo entre as partes, afirmou Bolton, quando chegavam a Nova York, de manhã, a secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice e a sua homólogo britânica Margaret Beckett.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Philippe Douste-Blazy, é aguardado ainda hoje.
"Desejo ardentemente que haja uma votação esta tarde, desde que, é claro, os membros do Conselho de Segurança renunciem a fazer aplicar a regra das 24 horas. Não chegamos ainda a um acordo, mas estamos perto", disse Bolton.
O Conselho de Segurança não pode normalmente votar uma resolução antes de um prazo de 24 horas após ter sido apresentada, mas pode renunciar a esta cláusula caso haja acordo dos seus 15 membros.
Em Jerusalém, o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, mostrou-se contudo insatisfeito com o previsto acordo de cessar-fogo e indicou hoje ao seu ministro da Defesa, Amir Peretz, que se prepare para uma ofensiva terrestre mais ampla no Líbano, referiu um responsável israelita.
Não era ainda claro se a ameaça israelita se destina a pressionar o Conselho de Segurança da ONU ou se Israel está determinado a enviar tropas em mais profundidade para o Líbano.
Vanhanen disse ter falado quinta-feira à noite sobre a situação no Líbano com o Presidente francês Jacques Chirac, e com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
A declaração surge quando os Estados Unidos e a França estão à beira de um acordo quanto a uma resolução do Conselho de Segurança visando pôr fim ao conflito entre Israel e a guerrilha do movimento xiita libanês Hezbollah.
Entretanto, mais de mil pessoas, na sua maioria artistas e intelectuais residentes em França, assinaram uma petição apelando a "um cessar-fogo imediato e incondicional" e ao "respeito pela soberania territorial libanesa, negada pela agressão israelita".
"Há que salvar o Líbano do inferno tecnológico, ateado e desencadeado pela aliança dos Estados Unidos e de Israel", afirma a petição lançada por intelectuais franco-libaneses e franceses, entre os quais Salah Stétié, Adónis, Vénus Khoury-Ghata, Georges Corm, Roula Safar e Michel Cassir.