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Cultura
Bahia homenageia Dorival Caymmi e Jorge Amado
Segunda-feira, 07/08/2006 - 12:10

Dois de fevereiro é dia de festa no mar. Dez de agosto é dia de festa na Bahia inteira. No Teatro Castro Alves, às 20h, a Bahia homenageia, em grande estilo, dois de seus filhos mais ilustres com a entrega do Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte, edição 2006, ao compositor Dorival Caymmi, 92 anos, na data de aniversário de nascimento do autor de Gabriela, entre outras jóias da literatura brasileira.

Descrição da Foto
Caymmi na Rua do Bângala (hoje Luiz Gama), onde nasceu.(Fotografia extraída do livro Caymmi Som Imagem e Magia da Fundação Emílio Odebrecht e distribuída pela Secretaria de Cultura)
Depois de quatro edições, Caymmi é o primeiro baiano a ser agraciado com o Prêmio e vai receber R$ 100 mil líquidos, a maior premiação individual do Brasil na área cultural. Caymmi e Jorge Amado eram amigos e parceiros musicais: a canção “É Doce Morrer no Mar”, foi inspirada em uma cena de Mar Morto, romance de Jorge Amado.

Caymmi nasceu em Salvador no dia 30 de abril de 1914, na rua do Bângala, no bairro da Mouraria. Para Jorge Amado, Caymmi “cresceu na praia de Itapuã, nas malícias do Rio Vermelho, nas ladeiras da cidade antiga, na pesca, na serenata, na festa de bairro, no samba de roda, nos terreiros de santo, vivendo cada instante de sua cidade e de sua gente, alimentando-se de sua realidade e de seu mistério preparando-se para ser seu poeta e seu cantor”. É Obá de Xangô do Terreiro Axé Opô Afonjá. Também, em 1973, cumpriu a cerimônia de assentamento de santo no Candomblé de Mãe Menininha do Gantois

Em 1930, ainda em Salvador, interrompeu os estudos e foi trabalhar no jornal “O Imparcial” e compôs sua primeira canção “No Sertão”. Em 1934 começou a participar de programas na Rádio Clube da Bahia e dois anos depois, em 1936, venceu o concurso de músicas para o carnaval baiano com o samba “A Bahia Também Dá”. Em 1938, “pegou um Ita no Norte” e chegou ao Rio de Janeiro. Primeiro trabalhou como desenhista numa agência de publicidade e no dia 24 de junho estreou na Rádio Tupi, passando a atuar com exclusividade na emissora.

A partir de 1939, Caymmi conheceu o sucesso com a música “O Que é Que a Baiana Tem?” incluída no filme "Banana da Terra", estrelado por Carmen Miranda. Gravou seu primeiro disco solo como cantor com as canções “Rainha do Mar” e “Promessa de Pescador”. Em 1940, o cantor casou-se com Adelaide Tostes, a cantora Stella Maris, que conheceu num programa de calouros na Rádio Nacional, com quem teve três filhos, também músicos: Nana, Dori e Danilo. Nos anos seguintes fez excursões em Fortaleza, Maceió e Salvador.

Em 1947, outro sucesso: o samba-canção “Marina”. Em 1954, gravou seu primeiro elepê, “Canções Praieiras”. Mais tarde, em 1956, lançou o samba “Marancagalha”, onde cantava as saudades de Anália em um perdido engenho de cana-de-açúcar em São Sebastião do Passé, no Recôncavo baiano. Um ano depois, em 1957, o samba “Saudades da Bahia” foi recordista de vendagem em São Paulo. Em 1972, lançou um disco com outro sucesso: “Oração de Mãe Menininha”, em que saúda uma das mais celebradas ialorixá baiana: Menininha do Gantois.

As canções eternizadas por Caymmi são na maioria das vezes sobre temas praieiros ou sobre a Bahia e as belezas da terra, o que colaborou para fixar, de certa forma, uma imagem do Brasil para o exterior e para os próprios brasileiros. Algumas das mais marcantes são: "A Lenda do Abaeté", "Promessa de Pescador", "É Doce Morrer no Mar", "Marina", "Não tem solução", "João Valentão", "Maracangalha", "Saudade de Itapuã", "Doralice", "Samba da minha terra", "Lá Vem a Baiana", "Suíte dos pescadores", "Sábado em Copacabana", "Nem eu", "Nunca mais", "Saudades da Bahia", "Dora", "Oração de Mãe Menininha", "Rosa morena", "Eu Não Tenho Onde Morar", "Promessa de Pescador", "Das Rosas".

Caymmi também fez várias excursões fora do Brasil. Em 1957, realizou sua primeira viagem à Europa atuando em Portugal. Em 1965, excursionou nos Estados Unidos, onde gravou um disco e se apresentou no programa de televisão “Andy Williams Show”. Em 1969, participou com Vinicius de Moraes e Baden Powell de um espetáculo no Teatro Ópera, em Buenos Aires, Argentina. Em 1980, participou de temporada em Angola com vários artistas, e, em agosto de 1983, participou de uma série de espetáculos intitulada “Bahia de Todos os Santos”, em Roma.

Caymmi, com seu jeito próprio de compor e cantar, influenciou várias gerações de músicos brasileiros, como Tom Jobim, Elis Regina, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e, mais recentemente, Jussara Silveira que gravou um CD de músicas exclusivas do “Buda Nagô” da MPB, como o apelidou carinhosamente Gilberto Gil.

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