Salvador - Eles ainda nem foram alfabetizados, mas já estão em sala de aula dispostos a aprender um segundo idioma e com a vantagem de facilidade de aprendizado em relação aos alunos mais velhos. Estudos neurológicos comprovam que, quanto mais cedo crianças têm contato com uma língua estrangeira, mais fácil será o aprendizado.
Enquanto quem não aprendeu uma segunda língua na infância usa áreas do cérebro independentes para cada uma delas, a mente de crianças em contato com mais de uma língua desde a infância encara os idiomas como uma coisa só.
“Também do ponto de vista neurológico, a pronúncia de uma segunda língua é mais limpa e clara quanto mais cedo se aprende”, acrescenta a neuropediatra Maira Mota.
O sonho de muitos adultos - ser poliglota - não é tão complicado para crianças. Até os seis meses de idade, o cérebro dos pequenos é capaz de identificar a diferença entre sons usados em todas as línguas. Com pouco mais de um ano, os bebês ainda têm capacidade para emitir fonemas de qualquer idioma do mundo. Depois disso, a estimulação maior da língua mãe acaba por inibir o potencial lingüístico dos pequenos.
“Por isso, o contato com uma língua estrangeira precisa ser precoce, mas, acima de tudo, bem feito”, ressalta a especialista.
Com mestrado em desenvolvimento infantil e neurociência, a presidente do Capítulo Bahiano de Neuropediatria da Sociedade Bahiana de Pediatria, Maira Mota, lembra a importância de que o processo de aprendizado de uma segunda língua seja lúdico e prazeroso, sem qualquer resquício dos cursos direcionados para adultos. “Começar a trabalhar gramática da língua estrangeira com crianças que ainda não foram alfabetizadas na língua-mãe, por exemplo, pode gerar problemas futuros no aprendizado”, alerta a especialista. |