Livro mostra porque a música caipira virou sertaneja
Terça-feira, 25/07/2006 - 09:57
Com apoio da Lei de Incentivo à Cultura e patrocínio do Laboratório Intervet, Moda Inviolada – Uma História da Música Caipira, acaba de ser publicada pela Quiron Livros. Na obra, Walter de Sousa investiga o gênero desde suas origens na cultura cabocla e as primeiras gravações de 1929, realizadas pelo divulgador e escritor Cornélio Pires.
A obra acompanha ainda a influência de gêneros importados que a música caipira sofreu, como a guarânia paraguaia e a rancheira mexicana. Já no século XX, analisa o sucesso popular do sertanejo romântico e a conquista de um novo patamar pela música caipira original. O livro será lançado no dia 03 de agosto, no Museu da Imagem do Som em São Paulo.
A obra resgata nomes importantes da cultura caipira, como Angelino de Oliveira, Capitão Furtado, Raul Torres e Florêncio, João Pacífico, Tonico e Tinoco, Cascatinha e Inhana, Vieira e Vieirinha, Zé Carreiro e Carreirinho, Zilo e Zalo, Luisinho e Limeira, Liu e Léu, Tião Carreiro e Pardinho, Cacique e Pajé, Pena Branca e Xavantinho, Milionário e José Rico entre outros.
O livro também contou com cuidadosa pesquisa iconográfica, trazendo ilustrações raras: fotos de congadas e moçambiques feitas por Mário de Andrade, capas da extinta Revista Sertaneja, e capas originais dos discos das duplas.
A obra é o resultado de uma pesquisa de pós-graduação do autor, elaborada ao longo de quatro anos, e inclui entrevistas com Inezita Barroso, com a dupla Célia e Celma e com os violeiros Tião do Carro, Paulo Freire e Rodrigo Mattos..
Em um texto que envolve o leitor com curiosidades e “causos” sobre o assunto, a pesquisa torna a viagem pela trajetória do gênero musical um prazeroso mergulho nas mais profundas origens culturais do Brasil.
No dia 15 de agosto, o autor fará uma palestra no MIS (Museu da Imagem e do Som – SP) sobre o livro.
Walter de Sousa - é jornalista e pesquisador. É mestre e doutorando em Ciência da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Atualmente continua a dissecar o universo da cultura popular numa pesquisa sobre o circo-teatro da década de 40, do qual participaram muitos dos artistas caipiras.