O alto corpo teórico-político do PDT-Partido Democrático Trabalhista, ao registrar a candidatura de Cristovam Buarque, ex-governador e atual senador brasiliense e, agora, candidato oficial a presidente da República pela legenda do emblemático e ressonante número 12, partido que tem a rosa vermelha e verde como marca publicitária, símbolo da diplomacia, do perfume, da alma e da leveza feminina. O número relembra o conjunto dos apóstolos descritos no Evangelho. O 12 é carismático por significar uma dúzia de seres, coisas ou objetos. Ele representa a torcida e, no caso do PDT, identifica o partido perante o eleitorado.
Wellington da Fonseca Ribeiro
O PDT elege, expressa, apresenta a educação que é a bandeira primária e prioritária dessa agremiação que tem como ícones básicos Getúlio Vargas, estadista e construtor de direitos, João Goulart, reformador da educação e a dupla Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro, idealizadores e fundadores dos Cieps no Rio de Janeiro, nos dois governos do primeiro, vez que Darcy era um projetista pedagógico, didático, legislador do ensino, doutor na filosofia educacional, revolucionária e social encetada pelo mega lente público brasileiro Anísio Teixeira, baiano de Caetité, mestre de Darcy Ribeiro e do próprio ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), Cristovam Buarque, que sempre afirma ter sido aluno e seguidor de ambos.
Cristovam Buarque, o senador da educação, encarna, incorpora em toda a sua história pessoal e individual, a meta número um do PDT que é a educação a partir da seu ponto original da alfabetização ao ensino superior, por algum tempo chamado de terceiro grau. Daí, todos conhecem o surradíssimoo discurso de que nenhum país do mundo cresceu social, cultural, política e culturalmente sem investir fundo, pesado, maciçamente na educação de seus cidadãos. Educação não é gasto. É investimento no capital humano.
É sabido que só a educação temporalmente ajustada à idade do educando pode combater o pior mal que dilacera e humilha a sociedade humana, que é a miséria e a pobreza.
Cristovam assumiu o Ministério da Educação (MEC) em janeiro de 2003 e permaneceu no cargo até janeiro de 2004. Sua gestão no MEC foi marcada pela obstinação com o seu compromisso de realizar no Brasil uma verdadeira revolução educacional. Nos 13 meses em que atuou como ministro disseminou a noção de que a educação não é mero serviço e sim a única maneira de construir um país moderno e solidário.
Suas metas no MEC incluíam a eliminação do analfabetismo; a garantia de escola pública de qualidade para trodas as crianças, a partrid dos quatro anos de idade, até a conclusão do ensino médio; a formação e valorização do professor, incluindo a duplicação do seu salário; a modernização das escolas e dos métodos de ensino, que incluíam tanto a reforma física quanto a implantação de técnicas de ensino a distância; e uma reforma da universidade brasileria, para que ela responda aos desafios éticos e técnicos do século XXI.
Definitivamente, no pau, no cálculo aritmético e matemático da qualidade política e ideológica, o professor Cristovam Buarue é o melhor candidato a presidente da República, disparadamente, em se comparando com os dois polarizadores - Luís Inácio Lula da Silva, do PT, e Geraldo Alckmin, do PSDB. Inegavelmente por todos os títulos, o presidenciável pedetista é considerado um quadro de muito boa qualidade política no campo partidário progressista ou de esquerda.
De 1999 a 2002, Cristovam Buarque dividiu seu tempo entre as aulas na UnB, seus escritos e a Organização Não-Governamental Missão Criança, criada por ele para promover o Bolsa-Escola, que atende hoje mais de mil famílias no Brasil e em várias partes do mundo.
O que mais Leonel Brizola queria era a erradicação, a eliminação, do analfabetismo que é o maior câncer familiar, social, cultural e econômico do país. O analfabeto não é cidadão. É, sim, um vivente, um habitante, um consumidor, porém, cidadão não é. Cidadão é aquele que conhece e utiliza seus direitos e cumpre seus deveres. O analfabeto é o escravo do século XXI, que, geralmente, na arena eleitoral, tende a respaldar (imaginem!) políticas conservadoras, do atraso, da marcha à ré, fazendo correr a roda da história para trás. O Brasil tem em torno de 40 milhões de analfabetos crônicos.
Composição de qualidade indubitável - os senadores Cristovam Buarque e Jefferson Peres, no tocante, inclusive, ao fator honestidade. O Congresso brasileiro, com destaque especialíssmo para a Câmara dos Deputados, praticamente parou devido a uma série infindável de escândalos, crimes e roubalheiras praticados por dezenas de parlamentares de vários partidos entre os quais não se encontram os deputados e os senadores do partido da rosa, o PDT 12. Por isso, efetivamente, no item moral e no momento nacional, continental e internacional, esta agremiação que tem por fundamento filosófico-ideológico o trabalhismo, o nacionalismo, o patriotismo e o socialismo, tem 12 chances para crescer, para se estender, para se elastecer.
O 12 está solto na Bahia, bem do ladinho do 13, ex-zebra. Paulo Souto, candidato à reeleição, e seu principal adversário Jaques Wagner, do PT, cada vez mais coladinho no Lula, que um dia foi Lulinha paz e amor e hoje está mais para furacão, estimam que vão gastar, cada um, 12 milhões de reais na campanha eleitoral.
Deles todos, no entanto, o mais preparado é o senador da educação Cristovam Buarque, ex-governador de Brasília. Cristovam tem prova visível de bom administrador público, executivo, pré-condição racionalmente necessária para um postulante ao máximo cargo de presidente. A tendência, mesmo que não consiga despolarizar a disputa, é Cristovam crescer. As circunstâncias eleitorais e políticas que o país vive no momento tendem a propiciar o alavancamento, a elasticidade, a ampliação de uma candidatura centrada, embasada, bem articulada como a do congressista brasiliense.
A senadora Heloísa Helena tem qualidade ideológica, porém, sem a densidade, o lastro intelectual e experiencial de Cristovam Buarque. Ela consegue comover boa parte do eleitorado, tirando votos de Lula.
Só depois do horário eleitoral gratuito é que saberemos se a eleição aponta ou não para segundo turno. Antes disso é papo furado, só especulação e balão de ensaio.
Na Bahia a disputa para o Senado vai ser pau puro, no claro e no escuro. Rodolpho Tourinho tem a estrutura eleitoral do forte PFL nos 417 municípios da Bahia, Estado que é habitado por 15 milhões de pessoas, com mais de nove milhões de eleitores. Parte considerável dos prefeitos do PSDB apóiam o candidato Paulo Souto. O candidato a presidente de Paulo Souto é Geraldo Alckmin. A chapa majoritária do PFL está completa e antecedeu todas as outras. Entrou primeiro em campo e ficou esperando as demais. Antonio Imbassahy, postulante ao Senado pelo PSDB, não tem um forte candidato a governador nem a presidente. Será que Alckmin na Bahia vai pedir voto para Tourinho e para ele? Nuclearmente, o PSDB está dividido no meio.
Uma coisa é certa: o mais conhecido candidato ao Senado pela população e pelo eleitorado de todo Estado da Bahia é o ex-governador João Durval Carneiro, pai do primeiro prefeito pedetista de Salvador, e que não é nem nunca foi parente de Enéas Carneiro. Durval, duas vezes prefeito do segundo maior colégio eleitoral do Estado, Feira de Santana, aspira a única vaga senatorial amparado, ainda que informalmente, na aliança branca, uma criação eleitoral para não bater na lei da verticalização. Durval está amparado, respaldado, ancorado, num conjunto expressivo de mais de dez partidos com forte ressonância na região metropolitana de Salvador e nos maiores colégios eleitorais da Bahia.
Importantíssimo, doravante, por tudo que conhecemos nos últimos tempos através da mídia na Câmara dos Deputados, é a eleição proporcional. O PDT, o PC do B, PSB, PPS e o PV, dentre outros, têm a responsabilidade de ter o mínimo de cinco milhões de votos para continuarem recebendo a verba do fundo partidário, inserções anuais na mídia radiofônica e televisiva e bancadas parlamentares. Espera-se que a imprensa radiofônica e televisiva promova sucessivos encontros, debates, focando as qualidades e as desqualidades dos postulantes à Câmara Federal. A cláusula de barreira não atinge diretamente aos candidatos a deputado estadual. Então, diante disso, perante à sociedade e ao eleitorado ávidos por uma ampla renovação parlamentar, que sejam produzidos debates, entrevistas, matérias na mídia escrita, por aí.
O papel da imprensa é esse. A Bahia tem 39 vagas na Câmara Federal. Inexpressivos e rotineiros parlamentares estão indo para a aposentadoria definitiva. A sociedade baiana precisa conhecer melhormente os seus postulantes à Câmara dos Deputados.
Como diria Armando Oliveira, companheiro de longas jornadas esportivas do Raimundão Varela e equipe, bi-apresentador de rádio e TV, o jogo só acaba quando termina.
* Wellington da Fonseca Ribeiro é jornalista, professor, poeta e bacharel em Direito pela USCal em 1987. Candidato a deputado federal sob o número 1226. Serventuário da Justiça da Capital concursado sub judice. É Campoalegrense-Remansense (BA).