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:: Opinião ::
Futebol
Faltou atitude à Seleção Brasileira!
  • Por Carolina Manciola *
  • Domingo, 02/07/2006 - 20:48

    Atitude! Essa foi a palavra que mais ouvimos durante a narração de Galvão Bueno durante o jogo Brasil X França, nas semifinais da Copa do Mundo 2006. Os comentaristas do jogo insistiam em repetir que a atitude era o ingrediente que faltava à seleção Brasileira durante a partida.

    Futebol não é bem a minha praia. Embora seja uma das poucas representantes da classe feminina que sabe o que é um “impedimento” e um “cabeça de área”, ficou claro que não foi só atitude que faltou aos jogadores da seleção. Na verdade faltou muito mais: faltou sinergia, trabalho em equipe, energia em campo e liderança. O time brasileiro parecia perdido, derrotado, já no primeiro tempo, como se “pressentisse” que não adiantava se esforçar: “esse não era nosso dia, não era nossa copa”. Pena que eles esqueceram de avisar aos 180 milhões de brasileiros que espalhados mundo afora torciam pelo hexa, por mais uma vitória.

    Fazendo um paralelo com nosso dia-a-dia e com os diversos desafios que enfrentamos rotineiramente, fica claro que a teoria funciona em ambos os casos. Tanto em relação a execução do trabalho em equipe quanto a falta de confiança.

    Uma equipe tem sempre que ser mais do que uma equipe, tem que ser um time. Foi isso que faltou ao Brasil? Fomos apenas uma seleção (dos melhores do mundo, é verdade), onde as características (brilhantes, diga-se de passagem) individuais não se sobressaíram, não resolveram a partida. Talvez Parreira precisasse de umas aulas de gestalt para aprender que o todo é sempre maior que a soma das partes. E foi isso que faltou a seleção: ser um todo com um único objetivo e com estratégias bem definidas de como alcançá-lo.

    E não podemos nos esquecer: as equipes não nascem produtivas e maduras. Talvez nunca o sejam, de certa forma. Sendo assim, não basta selecionar os melhores jogadores do mundo e jogá-los no gramado: uma equipe para dar certo tem que estar sempre em busca de um “algo mais”. O ideal é que a cooperação oriente as ações de seus integrantes, sendo possível que as características individuais possam convergir e formular um todo ainda maior. É preciso ter uma visão ampla do que se está fazendo e ampliar o foco de atuação de cada “jogador”. Ao invés de praticar apenas atividades isoladas, passa-se a valorizar os resultados que a equipe, como conjunto, é capaz de gerar para fora e para cada um dos indivíduos envolvidos.

    E a liderança? O nome técnico talvez não seja o mais apropriado para aquele que comanda o time, pois mais do que técnica é preciso ser exemplo, inspiração. A responsabilidade do líder é sem dúvida grandiosa. Uma das melhores definições que conheço para liderança é a James C. Hunter: “Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo o bem comum”. E então Parreira: alguém já te disse isso antes?

    Agora partimos para o tema confiança. Faltou confiança à seleção brasileira? (Mas eles não eram os favoritos? Não tínhamos no time o melhor jogador do mundo???). Ou foi excesso de confiança que nos atrapalhou? Tivemos medo?

    Atualmente, as organizações são chamadas a funcionar e a buscar o sucesso em um contexto no qual a turbulência e as mudanças são constantes. Nenhum sucesso passado ou presente garante o sucesso futuro. Apenas através de contínuos processos de readaptação e inovação, aceitando a incerteza e o risco como condição inevitável, mas também como oportunidade de desenvolvimento é possível ser vencedor. É preciso estar sempre se reinventando e, para isso, é preciso confiança. Confiança nas pessoas, confiança, na equipe, confiança no sucesso!

    Não podemos deixar de lado o fato de que a ausência de certezas coloca ainda mais ênfase a exigência e a necessidade de expandir virtudes, qualidades, potencialidades e competências das pessoas que compõem as equipes, entre elas a confiança. E essa qualidade deve ser cultivada com atenção e cuidado para assegurar a continuidade da motivação de todos os envolvidos e conseqüentemente do sucesso da empreitada.

    Vou dispensar os comentários em relação ao time adversário. Não estamos falando da França, e sim do Brasil. Ele é o nosso time é com ele que devemos nos preocupar. De qualquer forma, jogo é jogo: um dia a gente ganha, no outro a gente perde (mas quem gosta de perder, não é?). Não serei hipócrita a ponto de usar o velho jargão de que “o importante é competir”. Isso não vale pro nossa seleção.

    Pois é seleção, não foi dessa vez. Mas somos vencedores: somos um povo que acredita, que confia, que tem sinergia. E precisamos de uma seleção que seja o reflexo desse povo, que mesmo com tantas adversidades vai a luta e não se entrega em campo. Faltou atitude sim, mas não faltou torcida. E nem vai faltar no próximo mundial: em 2010 o Hexa é nosso.

    * Carolina Manciola é administradora, pós graduanda em Gestão da Comunicação e uma torcedora fanática (e hoje decepcionada) da seleção brasileira.

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