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Irã usa petróleo como arma e recusa suspender programa nuclear
  • Agência Lusa
  • Domingo, 25/06/2006 - 16:33

    Teerã - O Irã agitou hoje a ameaça da arma do petróleo "se os seus interesses forem atacados" devido ao programa nuclear, voltando a rejeitar suspender o enriquecimento de urânio como condição para reiniciar negociações sobre este programa.

    "Se os interesses do nosso país forem atacados, utilizaremos toda as nossas capacidades de resposta e o petróleo é uma delas", afirmou o ministro do Petróleo, Kazem Vaziri-Hamaneh, citado pela televisão estatal.

    O Irã recusou até agora suspender o enriquecimento de urânio, um componente indispensável à indústria nuclear, e os países ocidentais não esconderam q ue Teerã será confrontado com sanções se persistir na sua recusa.

    A este respeito, o ministro avisou que "no caso de sanções contra o setor petrolífero do Irã, o preço do petróleo saltará pelo menos para os 100 dóla res" por barril.

    Vaziri-Hamaneh considerou ainda que as sanções são "irrazoáveis e impossíveis, porque a alteração da quota petrolífera do Irã e a sua forte presença na indústria do petróleo não é facilmente realizável".

    Segundo o governante, "o mundo precisa de energia, sabe perfeitamente quais os efeitos no mercado de sanções petrolíferas contra o Irã, e por isso ninguém tomaria uma decisão tão pouco razoável".

    O Irã é o quarto produtor mundial de petróleo e o segundo no seio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), tendo projetado 60 bilhões de dólares em receitas petrolíferas durante o seu ano fiscal em curso, que termina a 20 de Março de 2007, declarou hoje o ministro do Petróleo.

    Citado pela televisão estatal, Kazem Vaziri-Hamanech afirmou que em 2005 o país faturou cerca de 50 bilhões de dólares em receitas petrolíferas.

    Quarto produtor mundial de petróleo, o Irã produz 4,125 milhões de barris diários, graças a um aumento de 150.000 barris diários, afirmou quarta-feira uma fonte oficial iraniana citada pela agência Irna.

    Alemanha, China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia apresentaram recentemente uma proposta que visa convencer Teerã a suspender a atividade de enriquecimento de urânio, por temer que o seu projeto nuclear possa vir a ser utilizado para fins militares, nomeadamente o fabrico da bomba atômica.

    A proposta internacional comporta como contrapartida medidas de estímulo, nomeadamente incentivos de ordem econômica, mas coloca a condição prévia da suspensão do enriquecimento de urânio.

    Teerã rejeita esta exigência, como reiterou hoje o porta-voz da diplomacia iraniana, Hamid Reza Assefi.

    "A questão da suspensão do enriquecimento é um passo atrás, pensamos que a Europa deve negociar sem condições prévias", disse Assefi em conferência de imprensa.

    "Em vez de impor condições prévias que não são razoáveis e que não têm fundamento, deveríamos começar a negociar", acrescentou o porta-voz da diplomacia de Teerã.

    As grandes potências internacionais não parecem contudo dispostas a transigir sobre este ponto e esperam uma resposta rápida à sua proposta. O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, fez saber que tal resposta não será dada antes de meados de Agosto.

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