Adiado encontro de presidente Abbas com premiê palestino
Agência Lusa
Domingo, 25/06/2006 - 13:05
Gaza - O encontro previsto para hoje, entre o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, e o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, foi adiado na sequência de um ataque contra uma posição militar israelense, no sul da Faixa de Gaza.
"Por agora o programa (de Abbas) foi anulado, ele está concentrado em contatos com dirigentes árabes e estrangeiros (...) para travar a escalada militar israelita", segundo o porta-voz da presidência, Nabil Abu Rudeina.
Abbas e Haniyeh, que se reuniram sábado à noite, deveriam voltar a encontrar-se hoje para prosseguir as discussões sobre um documento, denominado "acordo nacional", destinado a pôr fim à crise política.
"O que se passou hoje faz-nos voltar à estaca zero (nas negociações)", disse Rudeina.
O ataque provocou a morte de dois militares israelitas e dois ativistas palestinianos, e foi reivindicado por três grupos armados, entre os quais o braço armado do Hamas, movimento de resistência islâmica, que dirige o Governo.
Segundo o exército israelita, um terceiro soldado, dado como desaparecido, foi seqüestrado pelo comando palestiniano e ainda está vivo.
O Hamas afirmou hoje que o ataque foi "a resposta natural aos crimes da ocupação israelita" e às ações dos últimos dias.
Os dirigentes do Hamas regressaram hoje à clandestinidade, por temerem que Israel intensifique a sua política de "assassínios seletivos".
Esta decisão surge na sequência de ameaças das autoridades israelitas, nas últimas duas semanas, nas quais advertiram que nenhum dirigente, incluindo o primeiro-ministro, Ismail Haniye, está livre de ser alvo de ataques.
Um porta-voz dos Comitês Populares da Resistência, um dos três grupos que participaram no ataque de hoje, disse a uma emissora palestiniana que o soldado israelita supostamente seqüestrado se encontra ferido no estômago e no ombro, mas que está a receber assistência médica, encontrando-se estável.
Também o braço armado da Jihad Islâmica, os "Batalhões de Saraya Al-Quds", defendeu o ataque lançado contra Israel, alegando que "a resistência armada tem o direito de responder aos crimes da ocupação, enquanto Israel continuar a matar crianças e mulheres".
Depois de mais de um mês de complicadas negociações entre as várias facções, Abbas chegou sexta-feira à noite a Gaza para dar um novo impulso às conversações.
Antes de uma reunião sábado à noite, responsáveis políticos das duas partes mostraram-se otimistas quanto à possibilidade de entendimento sobre o "acordo nacional".
Elaborado por responsáveis de movimentos palestinianos detidos em Israel, o documento inclui um reconhecimento implícito do Estado israelita, até agora recusado pelo Hamas.
Se este documento não for aprovado pelos grupos palestinianos, avança com o referendo, marcado para 26 de Julho, dando aos palestinianos a possibilidade de escolha.