Brasília - A transposição de águas do Rio São Francisco para as bacias do Nordeste setentrional terá grande impacto biológico e por isso não deveria ser realizada. A opinião é do professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Alexandre Godinho.
Ele prevê efeitos graves para as bacias que vão receber volume extra de água e diz que talvez existam técnicas mais propícias para fornecer água aos moradores do Nordeste. O estudioso comentou para a Agência Brasil a carta elaborada na semana passada pelos participantes do 1º Encontro de Pescadores e Pescadoras da Bacia do São Francisco.
O texto afirma que a situação dos estoques pesqueiros da região é precária e pede a suspensão do projeto do governo federal, bem como da construção de novas barragens, argumentando que eles poderiam acelerar o processo de degradação.
Godinho lembra que a bacia é explorada há séculos e enfrenta, entre outros problemas, poluição, represamentos, pesca intensiva e desmatamento, acrescentando que a insuficiência de chuvas ao longo de mais de uma década contribuiu para a escassez de pescado.
Com relação à transposição, ele diz que na Bacia do São Francisco os impactos devem ser relativamente pequenos, especialmente porque uma parte da água seria retirada da Represa de Itaparica. No trecho de retirada a montante (acima) do reservatório, prevê impacto um pouco maior.