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:: Opinião ::
Homenagem
O presidente Lula e o Metrô João Paulo II
  • Por Wellington da Fonseca Ribeiro *
  • Terça-feira, 21/03/2006 - 00:10

    O presidente Luiz Ignácio Lula da Silva e o Metrô de Salvador João Paulo II.

    O presidente Lula da Silva, em 2002, teve no Estado da Bahia, no primeiro turno, 2 milhões e 900 mil votos contra menos de 900 mil votos do segundo colocado, o hoje prefeito paulistano, José Serra.

    Votação estadualmente ótima, excelente, porém, em Salvador, 457 anos no próximo dia 29, revendo-se o último pleito presidencial, Lula ultrapassou o conceito de excelente subindo para fantástico e nunca poderemos esquecer, olvidar, esse resultado.

    Foto: Silfredo Freitas
    Wellington da Fonseca Ribeiro é jornalista, professor e bacharel em Direito.
    Parte considerável do clero ativo, progressista, colaborou para a origem e o crescimento do PT, seu partido, e numa sociedade desenvolvida o partido vale mais do que qualquer um dos seus mais importantes membros.

    Extremamente difícil para o eleitorado realmente qualificado dissociar, separar, a imagem real do PT – Partido dos Trabalhadores – do seu principalíssimo prócer, membro, componente, idealizador e fundador, que é o presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, o primeiro trabalhador industrial a galgar o cargo de presidente da República Federativa do Brasil pelo voto livre, direto e secreto, do jeito que um dia imaginou o disparadamente maior estadista brasileiro, Getúlio Vargas, - do qual o próprio Juscelino Kubistcheck, do PSD, agremiação também influenciada por Getúlio, festejado novelisticamente pela Globo, foi um dos discípulos.

    O Metrô de Salvador João Paulo II, o pontífice que reuniu, e de certo modo uniu, cristãos de todos matizes e adeptos de todas as religiões, do Ocidente e do Oriente, é tudo que os soteropolitanos, baianos do interior, turistas internos e externos querem. O Papa é mundialíssimo, ícone universal em toda extensão do planeta.

    O presidente é católico, o governador do Estado, também, e o prefeito João Henrique é evangélico, contudo, ecumênico, vale ressaltar, aberto, acíclico, para a composição dos melhores fatores religiosos, culturais, históricos e sociais.

    Enquete estimulada do Jornal da Mídia, envolvendo as maiores figuras da história, da literatura, da religião e do Direito da Bahia, perguntou aos leitores do JM com que nome o Metrô de Salvador deveria ser batizado. O resultado foi o seguinte: João Paulo II: 24,25%, Castro Alves: 17,98%, Ruy Barbosa: 14,44%, Gregório de Matos: 10,08%, Joana Angélica: 8,45%, Loreta Valadares: 2,72%, Nenhum deles: 22,07%.

    São as razões suficientes para que qualquer parlamentar da base governista (lulista ou petista) apresente um projeto de lei que dê ao futuro meio de transporte da capital baiana o nome Metrô de Salvador João Paulo II. A população mundial vai gostar.

    O baiano, antes sergipano, porém, brasileiro, Galdino Leite, ex-parlamentar é o autor da idéia de se colocar o nome do Papa João Paulo II - aclamado e proclamado pelos brasileiros como “João de Deus” - no desejado, almejado, o milagre cada dia mais necessário, Metrô de Salvador.

    Idéia extremamente feliz, facílima de ser compreendida, entendida, analisada, porquanto, faz parte do nosso patrimônio habitual, costumeiro, o ditado secular “baiano burro nasce morto”.

    Cosmovisivamente a idéia é boa, ótima e excelente. Do prisma histórico, político, cultural e, especialmente, multireligioso, ecumênico, coligante, somador, conjuntural, agregador. João Paulo II é mundialissimamente conhecido, comentado e reconhecido.O homem é “João de Deus”!

    Karol Wojtyla papou todas religiões com sabedoria, inteligência racional, simplicidade e firmeza. Ele disse muitas vezes para todos os povos deste pequeno mundo: “Nunca mais violência, nunca mais guerra, nunca mais terrorismo. Em nome de Deus, que cada religião leve sobre a terra, justiça e paz, perdão e vida. Amor”.

    Por conclusões dessa natureza do ângulo filosófico, teológico e espiritual “João de Deus” foi e continuará sendo mundialissimamente respeitado, admirado, por todos os povos e religiões do planeta. E amado.

    Salvador, 456 anos, terceira capital brasileira, é atualmente habitada por aproximadamente 3 milhões de pessoas. Concentra-se na cidade o maior número de desempregados do país.

    Topografia acidentada, Salvador é quase uma ilha cercada pelas águas do Oceano Atlântico. Entre os imensos problemas urbanos – o transporte coletivo forte é feito por ônibus – ao lado do saneamento básico, se destaca enormemente.

    Salvador terra mater é o primeiro grande marco da história da pátria. Nos últimos anos por força da globalização e internacionalização da economia, das comunicações e da cultura, os brasileiros, de modo geral, passaram a observar e fiscalizar monumentos, eventos e datas históricas. É o caso, por exemplo, do principal aeroporto da capital.

    Sem história, sem memória, zeradas, as massas são mais fáceis de serem manipuladas pelo marketing, a esperteza dos governantes, os quais, com raras exceções, querem e tentam perpetuar seus nomes, de seus parentes e adeptos nos espaços, equipamentos, monumentos, ruas, praças, avenidas, enfim, em praticamente tudo, que estiver no âmbito do poder público, do que muitas vezes podemos denominar de coisa pública.

    Fatos e atos históricos devem sempre ser respeitados, celebrados e comemorados não só pelos poderes, mas, também, pelo povo, pelos atores da história.

    A Conjuração Baiana – ou Revolução dos Alfaiates – produzida em 1798, completando, agora, 207 anos, é simplesmente, desprezada nas escolas. De todos os níveis. Menos pelo Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, sob a coordenação da professora Consuelo Pondé de Sena, historiadora sempre atenta, antenada, com os marcantes feitos pátrios, notadamente na mídia impressa de Salvador. Consuelo, intelectual vibrante, não sai de cena.

    Refiro-me à conjuração promovida por alfaiates, escravos, soldados e pequenos comerciantes, a qual, mais tarde, 25 anos depois, deu base ao “2 de Julho de 1823, data melhor para lembrar que a Independência do Brasil se consolidou na Bahia”, como bem relata impresso publicitário da Fundação Gregório de Mattos, poeta baiano de grande vínculo com a história de nossa libertação.

    Dois de Julho é a data maior e mais importante da Bahia e do Brasil, sem dúvida. O que importa, vale, contudo, é que os segmentos organizados, plantados, da sociedade vem aumentando, ano após ano, suas considerações, consciências e posições sobre o significado desses fatos, atos e grandes acontecimentos narrados por nossa história. Muito sangue foi derramado!

    Não é possível esquecer a luta de todos que querem para sempre: Aeroporto Internacional de Salvador 2 de Julho. Nada de pessoal. Tudo pela história! É um fato revolucionário, socialmente transformador, culturalmente pétreo, historicamente sagrado e consagrado e nada pode removê-lo. Muitíssimo sangue foi derramado!

    Revejamos a pauta, a luta dos jovens revolucionários baianos há quase 207 anos passados: libertar o Brasil de Portugal; acabar com a escravidão; aumentar os salários dos soldados; melhorar as condições de vida do povo; abrir os portos brasileiros para outros povos.

    Foram dedurados, presos, processados e condenados à forca e ao esquartejamento, vítimas de criminosa sentença de 07 de novembro de 1799 os jovens: João de Deus (xará do papa), alfaiate, Manoel Faustino, ajudante de alfaiate, e os soldados Luis Gonzaga e Lucas Dantas.

    O metrô de Salvador é a maior e a mais relevante obra na Bahia, com a participação dos governos da Capital, do Estado, da União e do Banco Mundial. É uma obra (sim!) de interesse internacional.

    João Paulo II foi o primeiro papa a visitar o Brasil. Em seus 26 anos de pontificado esteve quatro vezes no país, permanecendo um total de 29 dias, visitando 21 cidades.

    A segunda visita foi em 1982, a caminho da Argentina, onde tentou pôr fim à guerra das Malvinas. Em 1991, o Pontífice voltou ao país para mais 10 dias de viagem, privilegiando lugares por onde não tinha passado, porém, Salvador, mereceu por razões que conhecemos de natureza cultural, histórica e religiosa nova visita.

    Sua última estada no Brasil foi em 1997. Ele veio ao Rio de Janeiro participar do II Encontro Mundial do Papa com as famílias – células sociais em altos desajustes devido as grandes transformações, mudanças dos humanos, do meio social e do próprio mundo.

    Independentemente de qualquer tipo de razão, disputa ou polêmica o nome de João Paulo II, mundialíssimo, internacional, une, reúne, agrega, soma, congrega, praticamente todos os campos ideológicos, religiosos, políticos, da sociedade planetária.

    O autor da idéia, Galdino Leite, sempre se faz presente nos meios de comunicação, notadamente na mídia impressa. Um comentário seu sobre o nome do Papa para o metrô de Salvador seria bem-vindo. Edmundo Benevides, juiz de direito aposentado e agora advogado, em seu artigo “O Adeus de um Santo”, publicado na coluna Sr. Redator da Tribuna da Bahia do dia 15 de junho deste ano, no parágrafo final do escrito, concluiu:

    “Por tudo isso, entendemos ser uma homenagem justa, histórica, o Governo Federal – diga-se o Presidente Lula da Silva e o seu partido que por gênese, originou-se no seio da Igreja – Prefeitura de Salvador e o Governo do Estado, colocar o nome de João Paulo II no Metrô de Salvador. Convém que se diga que a opinião pública internacional terá uma grande satisfação e alegria em ver o nome de Karol no metrô de Salvador”.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Paulo Souto e o prefeito João Henrique são ecumênicos em matéria de religião.

    Entendo, reunindo todos os elementos do conjunto da cidade do Salvador, sua natureza poliforme culturalmente rica, que se for colocado o nome do Papa da paz João Paulo II no Metrô de Salvador, esta capital ganhará mais brilho, luzes, internacionalidade e, assim, aumentará sua capacidade para atrair o turismo interno e externo.

    Conclamo os profissionais de criação de todas as esferas da ampla comunicação a emitirem suas opiniões sobre isso. Os baianos Nizan, Duda Mendonça, Paulo Ameba, José Américo do IRDEB, todos eles.

    João Paulo II - “João de Deus” para os brasileiros – foi o santo que irmã Dulce amou e conheceu em vida. Karol Wojtyla será canonizado dentro de pouco tempo.

    Ele merece. Aproximou-se do eterno e infinito Jesus. No dia 13 de maio de 1981, na praça São Pedro, em Roma, enquanto abençoava fiéis do alto de um carro aberto, João Paulo II foi atingido por um tiro disparado pelo terrorista Ali Agca. A bala feriu uma de suas mãos e o abdômen. João Paulo foi submetido a duas cirurgias. Em 1983, pouco tempo depois, visita e perdoa o terrorista na prisão. Ato de especial santificação!

    Recentemente o Cardeal Geraldo Majella Agnelo entrevistado pelo Rádio Excelsior de sua arquidiocese, ao chegar de Roma, falou que o papa Bento XVI está inclinado a visitar o Brasil. Com a palavra, Dom Geraldo.

    Venha, então, o novo pontífice Bento XVI para a inauguração da primeira etapa do metrô João Paulo II “João de Deus” nos corações dos brasileiros, ainda, esperamos, no governo do prefeito “João 12”, filho de João, governador no período 82/86.

    “A bênção, João de Deus, nosso povo te abraça, tu vens em missão de paz, sê bem vindo e abençoa este povo que te ama”. (da música cantada pelos brasileiros durante a primeira visita do papa em 1980).

    Salvador, assim, aumentará o seu prestígio internacional. Será a cidade brasileira mais visitada pelos pastores do ecumenismo mundial, universal. É, como diria o especial, sideral, espacial, cantor e compositor baiano, universal e americano do sul, doutor Raul: “et plut! plat! zum!”. Zarpou, foi-se para o além.

    Em direção ao infinito.

    * Wellington da Fonseca Ribeiro é jornalista, professor e Bel. em Direito pela UCSAL em 1987. Um dos Coordenadores do Movimento Cristão Defensor do Metrô – MCDM. Seminarista em Amargosa (BA) na década de 60. Serventuário da Justiça da Capital concursado sub-judice. Campoalegrense / Remansense – Ba.

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