Caetano Veloso, 63 anos, está irritado. Em carta à Revista IstoÉ Gente, o cantor fez um verdadeiro desabafo e contestou a matéria de capa da edição da revista, que trouxe como título O desbunde de Caetano. O cantor negou que esteja namorando com a mulata Denise Assis, com quem, segundo a publicação, foi visto de mãos dadas em Salvador.
Caetano também não gostou por a revista ter colo cado que ele tomou banho de mar na praia de Aleluia de cueca.
"É um sungão, não é uma cueca. Já fui à praia de cueca centenas de vezes, nos anos 70. Iria de novo se quisesse. Mas não o fiz em Salvador agora e detesto ler que fiz o que não fiz. Usava uma sunga de jérsei azul-rei, de marca Blue Man, com etiqueta na parte interna e um bordado da marca no lado esquerdo da parte da frente".
A matéria da IstoÉ Gente diz: "Caetano Veloso tem aproveitado – e muito bem – a nova vida de solteiro em pleno alto verão baiano. Um ano depois de se separar de Paula Lavigne, com quem foi casado por 19 anos, o cantor e compositor apareceu em público com Denise Assis dos Santos, uma mulata de corpo escultural, no ensaio do Cortejo Afro, em Salvador, na segunda-feira 30. De mãos dadas, o casal foi a sensação da noite. Em aparições mais discretas e longe dos fotógrafos, os dois já foram vistos juntos na praia do Porto da Barra, apreciando o pôr-do-sol com amigos, e em barzinhos do Rio Vermelho, bairro boêmio de Salvador onde o cantor tem uma casa".
Leia carta de Caetano para a Isto É:
Senhores editores,
Vi no ultimo número de IstoÉGente uma reportagem de capa sobre mim. Fiquei chocado com a falsidade das informações. Ali é dito que apareci de mãos dadas com uma nova namorada no ensaio do Cortejo Afro, em Salvador, que tomei banho de mar de cueca e que fui levar presente para Iemanjá. Não cheguei de mãos dadas com ninguém àquele local. Não entrei ali com a moça que aparece na foto comigo. A enganosa impressão de que poderíamos estar de mãos dadas quando pisávamos degraus diferentes da escada de entrada (eu nem sabia que nesse momento ela estava justo atrás de mim) e um único flagrante de breve diálogo num momento posterior tudo o que a revista tem. Para uma publicação que mostra tanta vontade de fazer uma matéria daquela natureza, essa escassez de material é prova de que tudo o que é dito no texto não corresponde à verdade.
Se eu tivesse uma nova namorada e fosse com ela a um lugar público, vocês teriam oportunidade de reunir evidências. Mas não. A moça, conhecida minha de há muitos anos, não é minha namorada e não entrou ali comigo ou ficou a meu lado durante o ensaio. Fui com outras duas amigas e, entre muitas outras pessoas, encontrei-a lá. No dia seguinte, fui a uma praia distante, com um grupo de amigos que não incluía a moça em questão, usando uma sunga de jérsei azul-rei, de marca Blue Man, com etiqueta na parte interna e um bordado da marca no lado esquerdo da parte da frente.
É um sungão, não é uma cueca. Já fui à praia de cueca centenas de vezes, nos anos 70. Iria de novo se quisesse. Mas não o fiz em Salvador agora e detesto ler que fiz o que não fiz. Na verdade fiquei desagradavelmente surpreso ao ver que os fotógrafos nos tinham seguido até ali. Pois, além de termos parado o carro a mais de um quilômetro do lugar aonde íamos, ficamos num recanto escondido entre árvores.
Tudo bem, eu sei que vocês vivem de entreter seusleitores com histórias sobre pessoas famosas. E eu soufamoso (e estava com alguns amigos célebres naquela praia). Mas ao menos esperem histórias acontecerem. Se eu não fiz nada que significasse a apresentação de uma nova namorada à sociedade, não tomei banho de mar de cueca, nem levei presente a Iemanjá, por que mentir a seus leitores afirmando que fiz as três coisas?
Tenham respeito por mim. Tenho 63 anos e uma longa vida de trabalho com música popular. Estou na Bahia, levando uma vida o mais quieta possível. Não desci do meu quarto de hotel nem um só segundo no dia 2 de fevereiro. Só compareci a dois eventos em Salvador todo este verão: a festa da Beleza Negra do Ilê e o ensaio do Cortejo Afro. Ambos a que assisto tradicionalmente e, dada a ligação pessoal que tenho com os dois blocos e os seus dirigentes, a que não podia faltar. Deixei de ir a todos os outros muitos ensaios (de Magareth, do Olodum, do Muzenza, do Malê de Balê etc.), assim como a toda a série de shows do Festival de Verão. São coisas que, em outros anos, não perco. Seria o caso de fazer-se uma reportagem sobre minha atitude reclusa, em comparação. Mas não. Vocês queriam dizer que estou me esbaldando, e, com as migalhas de duas saídas discretas, fizeram uma matéria afirmando isso. Eu acho que eu mereço ser tratado com mais cuidado.
Caetano Veloso. |