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Polêmica
Jornal dinamarquês havia se negado a publicar charge de Jesus
  • Agência ANSA
  • Segunda-feira, 06/02/2006 - 20:05

    Londres - O jornal dinamarquês Jyllands-Posten, o primeiro que publicou as polêmicas charges do profeta Maomé, há três anos havia se negado a divulgar ilustrações satirizando Jesus Cristo, já que as considerava ofensivas para seus leitores e nada engraçadas, informou hoje o portal de Internet do matutino inglês The Guardian.

    Em abril de 2003, o cartunista dinamarquês Christoffer Zieler propôs uma série de ilustrações sobre a ressurreição de Cristo, mas o Jyllands-Posten se negou a publicá-las. De acordo com o site do The Guardian, Zieler recebeu uma mensagem eletrônica do editor do suplemento dominical, Jens Kaiser, rejeitando a colaboração.

    "Não acredito que os leitores do Jyllands-Posten gostariam de suas ilustrações. De fato, creio que provocariam uma verdadeira polêmica e escândalo. Assim, preferimos não publicá-las", explicou Kaiser ao cartunista. O artista contou ao jornal norueguês Dagbladet, que as charges "eram uma brincadeira inocente, do tipo que meu avô católico gostaria".

    "Mostrei essas ilustrações (de Jesus) a alguns pastores, e eles as consideraram engraçadas", completou. Também disse que considera que o Jyllands-Posten "valorizou mais os sentimentos de seus leitores cristãos, que dos muçulmanos".

    Depois de ver a matéria, o editor do jornal, Kaiser, declarou ao MediaGuardian.co.uk, versão online do jornal inglês, que "é ridículo que se traga esse caso a público agora". "Não tem nada a ver com as caricaturas de Maomé. No caso do profeta do Islã, pedimos a ilustradores, que o fizeram. Eu não havia pedido as ilustrações de Jesus, é diferente", explicou.

    Para Kaiser, o cartunista das sátiras de Jesus "acreditou que as caricaturas eram engraçadas, mas eu não".

    No entanto, Ahmed Akkari, porta-voz do Comitê Europeu para Honrar Maomé, declarou que o Jyllands-Posten utilizou critérios diferentes e declarou que o jornal "deve se desculpar". "Nos perguntamos por que o Jyllands-Posten não quer fazer comparações entre os dois casos. Seguramente porque sabe do que se trata", sentenciou Akkari.

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