Bispo de Barra recebe carta de Lula, mas mantém greve de fome.
Sábado, 01/10/2005 - 17:51
Cabrobó (PE) - O bispo Luiz Flávio Cappio, de Barra, no Oeste da Bahia, recebeu neste sábado (1º) uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizendo que "entendia a luta do religioso", mas que manterá o projeto de transposição do rio São Franciisco porque "a obra irá beneficiar muitas pessoas". A carta foi entregue pelo assessor de Lula, Silvino Heck.
O frei Luiz Flávio Cappio está há seis dias em greve de fome para protestar contra a transposição do rio São Francisco, projeto do governo federal que vai consumir mais de R$ 5 bilhões.
Depois que leu a carta de Lula, o bispo de Barra decidiu manter a greve. A família do religioso aproveitou o mesmo portador (o assessor Silvino Heck) para enviar uma carta ao presidente da República, chamando a atenção de Lula para a saúde do bispo.
"Ele começou a ter desmaios. Ele, que sempre fez campanha para Lula, pois queria o povo no poder, não está tendo a mínima atenção. Por isso, decidimos também pedir clemência ao presidente", disse uma sobrinha do bispo Luiz Flávio Cappio.
Hoje o bispo recebeu a solidariedade de diversas entidades e de representantes do governo baiano. O secretário Jorge Khoury, dos Recursos Hídricos, chegou à cidade enviado especialmente pelo governador Paulo Souto. Khoury estava ao lado do secretário-executivo do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, Anivaldo de Miranda, e do padre Clodoveu Piazza, secretário estadual de Combate à Pobreza.
O secretário criticou a falta de sensibilidade do governo federal para a questão do projeto de transposição do São Francisco: “Não podemos aceitar a irracionalidade de levar água a custos altíssimos para áreas distantes do rio, sabendo que, após a revitalização, com o mesmo custo, seria possível levar água a um número enormemente maior de famílias que moram perto do São Francisco e enfrentam uma situação extremamente difícil por conta da seca. Este é um ato contra os princípios da Administração Publica, como eficiência, economicidade e isonomia”, destacou.