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Relatório
Desigualdade de renda no Brasil é uma das maiores do mundo
  • Agência Lusa
  • Quarta-feira, 07/09/2005 - 16:11

    Brasília - Os 10 por cento mais ricos da população brasileira detêm 46,9 por cento da renda nacional e os 10 por cento mais pobres apenas 0,7 por cento, revela o relatório deste ano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

    Estes dados brasileiros são usados como exemplo no relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para ilustrar que a má distribuição de renda ajuda a travar a expansão económica e torna mais difícil que os pobres sejam beneficiados pelo crescimento.

    Num outro indicador usado para medir a desigualdade, o índice de Gini, cujo valor varia de zero (quando não há desigualdade) a 100, o Brasil é o oitavo pior país.

    O índice de Gini do Brasil é de 59,3, melhor apenas que a Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.

    De acordo com o relatório do PNUD, cerca de 26 milhões de pessoas no Brasil poderiam sair da linha de pobreza se houvesse a transferência de cinco por cento da renda dos 20 por cento mais ricos para a população mais pobre.

    A chefe da Casa Civil da Presidência da República, ministra Dilma Roussef, reconheceu, durante a apresentação do relatório à imprensa na terça-feira, a necessidade de reforçar políticas sociais dirigidas à redistribuição de renda no país.

    Num total de 177 países e territórios, o Brasil ocupa o 63º lugar quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo o relatório deste ano do PNUD.

    A mudança de posição do Brasil, que no ranking do ano passado ocupava a 72ª posição, deveu-se à revisão e atualização de indicadores e metodologias, explicaram os técnicos do PNUD.

    Refeita com base em dados mais recentes, a lista de 2004 coloca o Brasil em 63º lugar, ao lado das nações de médio desenvolvimento humano - a mesma colocação obtida este ano.

    A recente revisão e atualização de indicadores pelo PNUD mostra, entretanto, que o índice brasileiro de fato registrou uma ligeira melhoria, com o IDH a passar de 0,790 no relatório de 2004 para 0,792 este ano.

    De acordo com o PNUD, o Brasil avançou em duas das três dimensões do IDH (educação e longevidade) e regrediu numa (renda).

    De 2002 para 2003, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita brasileiro recuou 1,6 por cento, passando de 7.918 dólares (6.318 euros) para 7.790 dólares (6.216 dólares), índice inferior ao da média mundial e ao da América Latina.

    O relatório mostra que, entre 1975 e 2003, o Brasil passou a África do Sul no ranking do IHD, foi ultrapassado pela Malásia (atualmente em 61º lugar), avançou mais que o México e menos que a China.

    No Índice de Pobreza Humana, que considera a falta de educação elementar, a curta duração de vida e a falta de acesso a recursos públicos e privados, como água potável e saneamento, o Brasil aparece na 20ª posição num total de 103 países.

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