Vivemos um momento de ouro - o Brasil completou 505 anos em abril do ano 2 mil - fase propícia, favorável, para uma funda revisão, reflexão, remontação do processo histórico brasileiro - repleto de lutas, injustiças, tragédias, assassínios, vitórias e poucas glórias.
A neutralidade é, sabidamente, muito difícil, marchando para o impossível. Porém, a busca ou procura de justiça, a imparcialidade, o equilíbrio e a ponderação, são elementos que se juntam, que se formam, para a exposição, a externação e a publicação dos atos, fatos e processos historicamente registrados. O triunfo da mentira é momentâneo, parcial, passageiro, enquanto a verdade vence, ilumina, convence e é para sempre eterna.
Wellington Ribeiro se define como "getulista, janguista, brizolista, joãopaulista (o papa), cheguevarista e socialista natural".
Portanto, sábios leitores, façamos uma boa faxina, limpeza, auditoria na História deste Brasil quinhentão.
O vice-presidente Café Filho, homem medroso, sucede Getúlio, vindo, em seguida, o representante do Parlamento, Carlos Luz. Ambos ficam pouco tempo no poder.
Não conseguiram apagar, nulificar, deletar, o trabalhismo - o trabalhismo no Brasil é o primeiro caminho para o socialismo - ou uma terceira via social, capitalista ou, ainda, na pior das hipóteses, algo menos nocivo, desumano, selvagem, diferente do capitalismo, sistema social, econômico e político que consagra a exploração do animal humano por outro ser humano.
Em 1955 - um ano depois da morte de Getúlio - Juscelino Kubitschek concorre à Presidência pelo PSD - PTB, ambos partidos fortemente influenciados por Getúlio. JK é o primeiro colocado com 36 por cento dos votos. Jango Goulart, ex-ministro do Trabalho de Getúlio, legítimo representante e herdeiro do getulismo trabalhista, compõe, como vice-presidente, a chapa com Juscelino.
A oposição, a mesma oposição que fez tudo para destruir o governo eleito de Getúlio - e não logrou êxito -, promove, então, uma campanha raivosa contra a posse do capitão-médico mineiro JK e de seu vice João Goulart, alegando falta de maioria absoluta - 50 por cento mais um da votação.
O general Henrique Lott, homem sério, respeitadíssimo oficial do Exército, salvou a vontade eleitoral das urnas, comandando um movimento que garantiu a posse de Juscelino e Jango.
Juscelino governa de 1956 a 1961. Deu prosseguimento a modernização da economia e a industrialização do país. Investe fundo na indústria de base e na agricultura. Melhora a educação, os transportes e o fornecimento de energia, além de transferir a capital do País para o Planalto Central.
Lott e Jango. Jango ingressa no PTB em 1945. Em 1946, elege-se deputado federal constituinte. Reeleito em 1950, coordena a campanha presidencial de Getúlio, de quem é considerado herdeiro político. Ocupa o Ministério do Trabalho entre 1953 e 1954 e deixa o posto diante das pressões contrárias ao aumento do salário mínimo. A elite composta pelo coronelato rural e urbano não queria ouvir falar de salário mínimo para o trabalhador. Estava, tranquilamente, acostumada com o trabalho operário praticamente gratuito. Um lugar para morar, um prato de comida, uma roupa velha, um sapato furado, era o que o obreiro recebia. Muitas vezes, porrada também!
Jango é eleito vice-presidente de JK em 1955 e de Jânio Quadros em 1960. O prestígio do trabalhismo era tão forte que o vice-presidente da chapa de Jânio perdeu a eleição para João Goulart, herdeiro eleitoral de Getúlio Vargas, embora com prestígio próprio. Com a renúncia de Jânio, uma conspiração tenta impedir sua posse. O governador Brizola garante sua posse. Assume a Presidência sob o regime parlamentarista em 1961.
Sua luta em favor das reformas de base atemoriza as classes dominantes. Mais ou menos assim: a 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renunciava à Presidência da República, sob alegação de ser vítima de pressões internas e externas, que se levantavam contra o seu governo. Adversários do ex-governador paulista, pelo fato de Jânio gostar da branquinha, aquela que passarinho não bebe, diziam, conversavam, faziam piadas, que Jânio renunciou depois de tomar todas e, por isso, estava sob momentânea confusão mental.
João Goulart, seu sucessor legal, constitucional, estava em visita à China Continental. Assume o governo o Presidente da Câmara Federal, Ranieri Mazzilli. Setores militares conservadores, o clero reacionário, a classe média do período, eram contra a posse de Jango. Goulart era tido como getulista esquerdista.
* Wellington da Fonseca Ribeiro é jornalista, professor e bacharel em Direito. Idealizador e fundador da Ala Jovem do MDB baiano (em 1972) e do Movimento Brasil Brizola (MBB em 1989). É Campoalegrense-Ba.