Salvador - Búzios, palha da costa, pedras, renda, cassa bordada, cordas de sisal e tecido. Materiais simples, que nas mãos da estilista Dete Lima, fazem do Ilê Aiyê, há 32 anos, um dos blocos mais bonitos de se ver. As indumentárias e adereços do Ilê estão expostos na Casa do Benin, no Pelourinho, na exposição “Ilê Aiyê – 32 anos de revolução na arte de vestir e transformar a negritude”. Além de contar a história do bloco carnavalesco, as roupas traduzem a riqueza cultural do bairro da Liberdade.
A exposição faz parte do projeto “No Coração da Cidade”, lançado hoje (dia 4) pela Prefeitura de Salvador e organizado pela Fundação Gregório de Mattos (FGM). A mostra continua até o dia 21 de agosto e está aberta à visitação das 10h às 17h. A entrada é gratuita. A cada mês o projeto trará a cultura de um bairro para ser exibida no Centro Histórico. Agosto é o mês da Liberdade.
Trajes de 27 carnavais foram colocados em manequins – cada uma representando o tema do Ilê Aiyê em um Carnaval. Taís Carvalho, rainha do bloco em 2002, recebe os visitantes da exposição com a fantasia deste ano, intitulada Moçambique Vutlari. “Vutlari significa, em nagô, conhecimento, sabedoria”, explica a estilista. “Taís está vestida com amarração no corpo e na cabeça. No candomblé eu tive a revelação que esta é a roupa de maior força do Ilê, é o traje típico do bloco”, diz Dete.
Filha de Mãe Hilda, uma das mais respeitadas Ialorixás da Bahia, Dete Lima cresceu no terreiro de candomblé vendo a mãe se vestir com as roupas dos orixás. “Eu, pequena, ficava imaginando o que poderia fazer se tivesse aqueles panos nas mãos. Com a criação do Ilê Aiyê, pude materializar aquele sonho”, conta. Dete Lima é irmã de Vovô do Ilê e uma das fundadoras do bloco.
Ela explica que são necessários mais de 8 metros de pano para fazer a fantasia. São quatro metros para saia, 1,5m para blusa e, no mínimo, 3 metros de pano para fazer o torço – tudo montado sem costura. “Uso apenas presilhas e alfinetes para dar forma ao tecido”. Para complementar, Taís traz, no pescoço, um adereço feito de palha da costa, pedras e miçangas.
Tudo idealizado por Dete Lima, que explica o significado de todos os elementos utilizados. É possível notar, por exemplo, o uso marcante das cores vermelha, preta, branca e amarela do bloco. “O vermelho significa o sangue, o preto, a cor negra da pele, o branco significa a paz e o amarelo, o ouro, a riqueza, em especial a riqueza cultural do povo afrodescendente”.
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